NOTA CEII SP #5 [01/06/2017]

Freud, no entanto, entendia situar-se em uma perspectiva científica e falar de fatos, de objetos, de realidades apresentáveis, ainda que ele tenha cultivado a transcendência de um real tão pouco apresentável quanto a “vontade” de Schopenhauer ou o “amor da eternidade” de Nietzsche. Ele estava, ao fazer isso, em perfeita sintonia com o seu tempo ainda que, no mais profundo de si mesmo e talvez no mais secreto, ele soubesse que escapava da ilusão da “ciência”. Lacan também sabia disso, mas perseguiu ao mesmo tempo este outro recurso de Freud, proveniente do modelo médico, mesmo que tenha se distanciado o máximo possível de qualquer esquema terapêutico. Assumindo que todo horizonte médico esteja dispensado (o que não é obviamente o caso, digam o que disserem os analistas, especialmente em uma sociedade onde se espalha um modelo de “cuidado” generalizado) permanece ainda o fato de que a prática analítica (aquela que chamamos de “clínica”) mira o próprio sujeito e não o seu exterior’.

Nancy parece suspeito da prática psicanalítica, será que a gente consegue conversar mais sobre isto?

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