NOTA CEII SP #5 [27/07/2017]

Como todo nacionalismo africano, a forma moçambicana nasceu da experiencia do colonialismo europeu. A fonte da unidade nacional é o sofrimento comum durante os últimos cinquenta anos gastos sob o efetivo julgo português. A asserção nacionalista não surge de uma comunidade estável, na história de uma unidade linguística, territorial, econômica e cultural. Em Moçambique, foi a dominação colonial que produziu a comunidade territorial e criou a base para a coerência psicológica, fundada na experiencia de discriminação, exploração, trabalho forçado e outros aspectos tais do domínio colonial.

A comunicação, entretanto, foi limitada entre as comunidades separadas e sujeitadas às mesmas experiencias. Todas formas de comunicação previamente vierem de cima, através da administração colonial. E isso naturalmente diminui o desenvolvimento de uma unica consciência através do território. Em Moçambique, a situação foi agravada pela politica do “Grande Portugal”, na qual a colonia é referida como um “província” de Portugal, o povo chamado de ‘português’ pelas autoridades. No rádio, nos jornais, nas escolas há um grande tema de falar sobre ‘Portugal’, e muito pouco sobre Moçambique. Entre os camponeses, tal propaganda fez um grande trabalho em esconder o desenvolvimento de um conceito de ‘Moçambique’, e como Portugal é uma ideia muito distante para funcionar como um fator de unificação, isso também promoveu o tribalismo ao não ajudar o povo a ver além de sua unidade social imediata.

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