Nota CEII SP #7 [25/08/2016]

Para adentrar a filosofia de Alain Badiou é preciso ter em mente antes de tudo que ele, como o próprio diz, é um “radical de esquerda”. E é desse ponto de vista que se deve lê-lo, sob pena de se perder em fantasias ideológicas e idealistas sobre a matemática, filosofia antiga, psicanálise, etc, ou de, simplesmente, desvirtuar toda sua obra. Portanto, a filosofia de Badiou é antes de tudo uma filosofia comprometida (como talvez nunca se pode dizer em termos filosóficos) com a transformação do mundo, com o advento do novo

Esse Badiou, que é em certo sentido um Badiou marxista, talvez seja o núcleo de toda sua obra: a transformação do mundo. Nesse sentido, nos parece que Badiou tenha sido aquele que realmente compreendeu o sujeito implicado na tese 11 sobre Feuerbach de Marx: “Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo”. É quase imperceptível, ou poucas vezes lembrado, que esse filomena marxista se dirige ao filósofo, e não ao proletariado, por exemplo. 

É nesse sentido que se pode dizer que toda a compreensão de filosofia de Badiou se dedica a explicar como é possível, ou quais são as condições das transformações das coisas e do mundo. Como se opera a ruptura com a repetição e reprodução do ser e da sociedade, em especial do capitalismo.

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