Nota CEIISP #2 [07/06/2018]

Sobre a participação de mulheres em debates públicos como ornamento

Seria necessário me identificar para fazer esse debate? Dependendo do grupo sim, pois somente ocupando um tal de “lugar de fala” poderia dizer aqui algumas coisas sobre a participação da mulher nos debates intelectuais.

Gostaria de colocar aqui algumas reflexões sobre a obrigatoriedade da presença de uma mulher no debate da Tapera Taperá e vou usar um exemplo de um coletivo para fazer um paralelo.

Pouco tempo atrás um dos coletivos que tenho proximidade resolveu fazer uma atividade sobre a situação política do RJ e a questão racial, para compor o debate era necessário que houvesse uma mulher negra, pois somente ela poderia trazer questões relacionadas às mulheres e aos negros, era o tal do “lugar de fala”. Na apresentação desse debate, a pessoa que ocupou esse lugar apenas apresentou alguns dados, de reportagens amplamente divulgadas na mídia e não aprofundou nenhum debate. Na minha perspectiva ela apenas serviu de “ornamento” na disposição da discussão. Primeiro porque não foi cogitada sua participação pela discussão que ela levaria, mas por ser mulher e negra. Para o coletivo isso não suscitou nenhum estranhamento, no meu caso, se eu fosse a garota me sentiria no mínimo ofendida.

Muito bem. Até que ponto quando obrigamos que haja participação de mulheres em eventos públicos, também não reproduzimos esse lugar de ornamento da mulher? (ou do negro, ou da pessoa trans, ou da pessoa com deficiência, etc). Quando pensamos em um lugar de reflexão, devemos abrir espaços para que a participação se dê pela qualidade e aprofundamento das questões, não pelo “politicamente correto” que pode se inverter e reproduzir aquilo que se quer combater.

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