Nota#1 [18/02/2014]

A ópera Clemenza de Tito de Mozart contém um caso exemplar de parrhesia “bem sucedida”. É o momento em que Servília conta para o imperador, que pretendia desposá-la, que entretinha uma relação com Annio, mas que se fosse de sua vontade ainda assim, ele teria a sua mão. A reação de Tito, no entanto, surpreende. Ele fica exultante ao invés de furioso e proclama que se todos no reino fossem sinceros como Servília, um vasto império não seria tormento, mas seria a felicidade. Esse exemplo de coragem da verdade – em uma ópera de resto bastante lisonjeira com o o soberano para quem Mozart a escreveu – mostra que nem sempre o risco implicado na parrhesia redunda em fatalidade.

Quanto a Paulo, não está muito claro em que forma alethúrgica enquadrá-lo: seu discurso parece se furtar a todas as formas apresentadas por Foucault. Seria o caso de se falar de uma quinta forma alethúrgica ou ela pode ser tratada como uma combinação das formas existentes?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *