Nota#3 [24/03/2015] (RJ)

Rancière marca a disjunção entre o Estado comunista e os comunistas. A ideia comunista seria incompatível com a institucionalidade estatal. E uma das razões é que as experiências que adotaram a via do Estado têm como característica colocar o comunismo como um futuro, um por vir. O Estado é erigido como um processo de transição e mediação para a realização do comunismo, de modo que “tudo” seria permitido nesse processo – inclusive práticas contrárias à ideia do comunismo – já que ele conduziria ao comunismo futuro. Para Rancière a realização da ideia do comunismo só pode acontecer no presente: a própria organização dos militantes, por exemplo, já a concretizaria. Esse diagnóstico de que a ideia comunista e o Estado não “combinam” e que a sua instanciação legítima repousa na organização militante, na reunião daqueles que agem em nome da ideia comunista se aproxima muito da posição de Badiou. A questão é: para Badiou algumas operações – incorporação e subjetivação – são necessárias para um indivíduo (animal humano) passar a fazer parte de um corpo de verdade política (partido, movimento social etc.) e tonar-se um sujeito dessa verdade, ao passo que para Rancière parece que há uma passagem imediata e transitiva do indivíduo para o militante; confere?

 

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