Nota #8 [20/01/2015] (RJ)

12. Uma das transformações mais proeminentes dos últimos anos, mas que tem se mostrado pouco visível para as políticas de esquerda é o aumento da desigualdade de renda. O “fenômeno Piketty” – me refiro à repercussão editorial do livro deste economista – foi um momento no qual o problema passou a se tornar algo do qual não se pode tergiversar. O Fórum de Davos (como disse um economista progressista: “Davos, meus deus!”) reconheceu em sua última reunião que a concentração de renda atingiu um limite preocupante, tornando-se um problema para a própria reprodução do “comércio internacional”.

Não seria o momento de abandonar as políticas e os esforços intelectuais de agir e pensar para remediar  a pobreza, o lado mais “sensível” do problema da desigualdade? O que as pesquisas nos mostram é que o “1%” no topo da concentração de renda sequer são afetados pelos ventos da crise capitalista. Esta “super-classe” (Rothkopf) encontrou novas formas de fazer o jogo ser jogado a seu modo, acumulando um poder-dinheiro talvez inédito na era moderna. Remediar a pobreza, parece que deu “resultados pífios” (Cattani) em todos os lugares do mundo onde foi o que se tentou.

Parece-me que, se Marx colocou uma ênfase excessiva na pauperização contínua do proletariado como consequência inevitável do desenvolvimento do capitalismo; contudo, ele também não pôde prever a concentração de poder-dinheiro em escalas como as que temos hoje. Urge pensar na eventual política de esquerda dadas tais coordenadas – se elas se mostrarem realistas.

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