Nota#9 [27/01/2015] (RJ)

Se o cenário de crise se aprofundar ao invés de se recuperar a médio prazo, estamos preparados para isso? Estamos politicamente preparados para um colapso terminal do capitalismo? Esta nota é um exercício intelectual: o que seria preciso pensar/agir em caso de uma “crise sem fim” (Foster e McCheney)

  1. Não ser “pego de surpresa” do ponto de vista teórico-crítico – Isto significa que a esquerda precisa abandonar o quanto antes a crença de que o capitalismo se constitui como um ciclo de “eterno retorno do mesmo”, no qual capital e trabalho se digladiam infinitamente com ora mais ora menos vitórias e derrotas para cada um dos lados; o capitalismo está mais para uma espiral com solo e teto, impossibilitado, por sua essência, de retornar a um ponto anterior de desenvolvimento: por isso se trata de um sistema sociometabólico finito e absolutamente limitado;
  2. Construir redes de cooperação e ressolidarização para além do mercado e do estado – a história mostrou que o pior do capitalismo não é a “exploração do trabalho” mas a expulsão das massas de seus ciclos de rentabilidade. O desemprego ainda mais massivo e o subemprego/precarização serão a regra neste cenário “terminal”. Contudo, propugnar pelo retorno de um “pleno emprego” é pedir por um “segundo sol”.
  3. Mais do que antagonizar com bilionários, uma atividade verdadeira emancipadora precisaria desapoderá-los de seu dinheiro desapoderando o próprio dinheiro como “meio diretivo” (Habermas). Esta tarefa – nada trivial – é a tarefa da ação e da teoria-crítica anticapitalista que tenho em mente.

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