Nota CEII SP [02/10/2019]

Acho que estamos procurando coisas demais, e nos organizando de menos. As ideias surgem e são sistematicamente lançadas, mas não temos de fato uma ideia de como organiza-las ou, sejamos francos, vontade e tempo para tanto. Como fazer para nos organizarmos melhor e potencializarmos a participação de nossos membros?

Nota CEII SP [01/10/2019]

Sobre o Oficina Acadêmica (São Paulo)…

Gostaria de chamar por aqui uma conversa que estou tentando com o sub-conjunto do Oficina Acadêmica (SP) mas que não parece haver condições de tê-la, uma vez que periga de não termos a próxima reunião ou que, talvez ocorra mas com menos membros participantes do projeto.

Resumidamente, gostaria de esboçar um pouco da minha parte acerca do projeto por aqui, já sabendo que trata-se apenas da minha perspectiva (que infelizmente, não pôde ser desenvolvida com os demais), mas que conta que possa servir de mote ou quem sabe, como começo de conversa nesse esboço auto-crítico em relação ao projeto em sua tentativa paulista.

Hipótese 1 – Sobre o projeto: Me parece importante ressaltar que o OASP nasceu um tanto frankesteinizado. O que isso quer dizer? Me parece que quando nos familiarizamos com o OA, OARJ, houve uma espécie de semi-apropriação do projeto. Em outras palavras, ao invés da aposta ter se dado enquanto tentativa de experimentação de um dispositivo por completo em sua capacidade, adotamos uma postura um tanto instrumentalizada ou pragmática do OA – distanciando-o do dispositivo formulado enquanto tal. Logo, gostaria de ponderar por aqui a minha leitura da falha do projeto em SP para que possamos pensar conjuntamente sobre isso.

A semi-aplicação do projeto por aqui, gerou um efeito bastardizado que rapidamente tornou-se uma espécie de rede de atendimentos clínicos. Ou então, virou uma espécie de serviço que buscava se dispor em nome do acolhimento do sofrimento de universitários. Tão logo a proposta nasceu em SP, logo surgiram demandas que rapidamente (e em sua vasta maioria, lembrando que uma exceção foi a professora da FSP/USP que precisava de ajuda a usar o computador, que foi acolhida inicialmente, mas que não teve sequência) transformaram-se em acolhimento por atendimentos psicanalítico.

Possíveis impressões derivadas dessa primeira hipótese:

Internamente, houve grande desinteresse por parte das pessoas não ‘psis’ do coletivo, que passaram a entender e sustentar que o OASP é um trabalho psi (por conta da apropriação psi do projeto).

Acerca dos ‘psis’, salvo o engano, temos 3 ou 4 membros que atenderam por volta de 10 pessoas que nos alcançaram via projeto.

Entretanto, as tentativas de resgatar ou de retomar o projeto – de tentar colocar meio que ‘no eixo’ essa experimentação do OA de maneira mais fidedigna – foram por vezes frustradas pela tentativa de colocarmos esse assunto do sub-grupo dentro do espaço das reuniões do CEII. Ficamos por vezes, rodando em falso e não conseguindo pautar esse dispositivo nosso, como algo nosso.

Outra dificuldade, essa mais específica, se deu por conta dos atendimentos que, uma vez acontecendo, se viam deslocados/descolados da experimentação do projeto enquanto tal. E, essa correção de curso se via como um objeto desafiador aos seus participantes.

Externamente, se multiplicaram as demandas por pessoas em sofrimento buscando por atendimento (online em sua maioria), para aplacar situações de sofrimento. Por um longo período, não recebíamos demandas acadêmicas ou de sofrimento advindo das circunstâncias acadêmicas.

Proposta frente essa auto-crítica:

Bem, qual é o intuito de trazer essa conversa toda para cá? Simples – propor um reboot do OASP (relançamento) em termos de experimentação do projeto enquanto tal – trata-se da ideia de, realmente, arriscarmos o dispositivo como proposto e então, pensarmos a nossa experiência diante dele mas partindo de uma tentativa mais aproximada das tentativas do OARJ.

Recentemente tivemos uma espécie de “reanimação” de demandas pelo projeto em SP. Recebemos algumas propostas e pedidos sendo feitos, logo, há nisso uma possibilidade de arriscarmos o projeto sob outros termos.

Para isso, gostaria de na próxima reunião do CEII (sei lá quando ela for rolar) que eu faça uma apresentação obsessiva do projeto (venham com café rs), mas para que a gente possa pensar juntos sobre o dispositivo enquanto tal. E acerca do ponto crítico anterior específico, minha sugestão seria a de que, a partir das conversas, alinhamentos e concordância com essa mudança de rota entre os interessados no Oficina Acadêmica em SP, que os atendidos pela tentativa prévia, sob o antigo acordo sejam separados do projeto e então, que busquemos pela tentativa da implementação do OA em SP.

bem, é isso… comentários conversas, críticas, qualquer coisa… deixem por aqui. Lembrando que isso aqui é uma auto-crítica, que eu também participei dessa coisa toda por aqui e não to me excluindo da falha frankensteinizada – apenas estou tentando propor o reboot de um projeto maneiro que gostaria de experimentar em seus melhores termos por aqui.

Para quem chegou até aqui – valeu pela atenção e tempo.

Nota CEII SP [23/09/2019]

Under private property […] every person speculates on creating a new need in another, so as to drive him to fresh sacrifice, to place him in a new dependence and to seduce him into a new mode of enjoyment and therefore economic ruin. Each tries to establish over the other an alien power, so as thereby to find satisfaction of his own selfish need. The increase in the quantity of objects is therefore accompanied by an extension of the realm of the alien powers to which man is subjected, and every new product represents a new potentiality of mutual swindling and mutual plundering. Man becomes ever poorer as man, his need for money becomes ever greater if he wants to master the hostile power. The power of his money declines in inverse proportion to the increase in the volume of production: that is, his neediness grows as the power of money increases.

Nota CEII SP [23/09/2019]

O problema central do conceito de “reificação” (para os althusserianos, sobretudo) é que ele parece pressupor uma práxis “natural” foracluída pela colonização do capital. Essa crítica não me parece muito forte. Se entendi bem, a práxis oposta à reificação não é para ser encontrada antes da universalização do capitalismo, mas no limite de sua dissolução. Nesse sentido ela seria buscada dialeticamente “desde o futuro”. Além disso, não haveria nada de natural nessa práxis através da qual as coisas deixariam de ser o que são (e de aparecer como são) para serem o que vem a ser (e aparecerem no seus devires). Um problema mais sério e concreto é a probabilidade da emergência desse horizonte de ressignificação, e se existem desvantagens na tomada teórica dessa virtualidade.

Nota CEII SP [23/09/2019]

Ideias para intensificar as leituras:
a) Projeto: definir um horizonte relativamente longo (1 ano) para nos debruçarmos sobre um objeto, tema, problema ou autor;
b) Textos: limitar as leituras presenciais a textos mais curtos, artigos, capítulos
c) Geometria variável do engajamento: deveríamos incorporar a heterogeneidade da carga libidinal que cada membro pode aportar à leitura. Já definimos que o mais-um estaria na vanguarda da leitura, definindo os objetivos-por-encontro, mas acho que vale a pena granular mais. Alguns membros voluntários (por terem mais ou menos tempo, mais ou menos paixão pelo tema em questão) poderiam enfrentar textos mais longos, ou periféricos, ou mídias diferentes, relativas ao objeto do projeto, que seriam apenas em parte definidas em conjunto.
d) Resto: poderíamos formalizar uma produção (ou um conjunto de produções) derivadas das leituras do projeto. Artigos, cadernos, podcasts, assinados pelo coletivo, mas produzidos na medida em que cada membro se implica nessa geometria variável do desejo.