NOTA #6 [13/06/2019] (RJ I)

24/07/2019
Entre 10:53 e 11:02
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editado
“Tem que focar no aspecto terapêutico do trabalho, esquece o aspecto salarial. Ter um trabalho é bom porque tu vai se ocupar com outras coisas mais do que o de sempre.”
“Verdade. E por pior que seja o salário, já garante minha academia, a cuidadora da minha mãe e até minha analista.”
“Pois é. Tipo, imagina a benção que será ir para a terapia e poder desabafar sobre seu trabalho DENTRO da análise?! Salário ruim é vida, é saúde psíquica. Só não ver quem não que existe uma indústria do inconsciente. A verdade é essa.”
“Tô pensando aqui. O brasileiro é feliz por qual razão? Tu sabe? Eu sei, cara. É porque a gente hisperexplorado. A verdade é essa! Poha, se imagina numa Suécia? Tu consegue?! O sujeito fica refém de si próprio, não dá, é muita pressão. Tudo funciona no lugar. A economia, a política, o senso cidadão médio, é tudo direito num lugar desses”

NOTA #5 [13/06/2019] (RJ I)

Digamos que existem, basicamente, duas formas de lidar com a indeterminação dentro de uma coletividade/organização/instituição:
1) A lida ao modo carioca: Aparentemente aceita a indeterminação, mas no fundo crê numa ordem/lei mística (“deixa a vida me levar”/ “deixa acontecer naturalmente”)
2) A lida germânica com a norma/lei: É necessário conter o máximo possível a indeterminação por meio da obediência às regras, como se estas transformassem a indeterminação em situações determinantes.
Tendo em vista essas formas de lidar com o coletivo (os outros, as leis e o todo), quais outras formas possíveis?

NOTA #4 [13/06/2019] (RJ I)

Crash – J.G. Ballard

Disclaimer: eu não entendo de literatura. Nos últimos 3 anos da minha vida só li (muito mal, por sinal) teoria e não-ficção, e logo quando me deram a ideia de iniciar uma leitura conjunta de Crash, juntei os restos de fragmentos k-punk ainda frescos em minha cabeça sobre Ballard, o filme de Cronemberg que vi sem muito entusiasmo, minha própria inexperiência com literatura e adentrei o texto. Minha surpresa foi o caráter extremamente teórico e conceitual que a obra oferece, em paralaxe a pornografia explícita e a temática “violenta” envolvendo batidas de carro. O desenvolvimento do texto remove o véu de banalidade que o carro ocupa na ordem simbólica cotidiana, uma reminiscência perversa rompendo a ficção confortável ao redor da função “social-cultural” do carro. A máquina estranha que resta após esse processo nos leva a temer sua velocidade, entender sua capacidade de espatifar as dimensões de alguém, colidindo tempo/espaço em uma parede de concreto. O livro também nos leva a entender o funcionamento pornográfico da sexualidade, sua interpelação através da fantasia, sendo o carro um instrumento da elevação abstrata do sexo – sexo teórico, conceitualizado. Tudo que eu falei Mark Fisher falou antes, de forma bem mais formosa e kool, então não vou me alongar. O que eu queria apontar antes de terminar é a diferença que vejo gritante no texto de Ballard e no filme de Cronemberg, salvo todas as complicações que uma “adaptação” já leva consigo. O livro constantemente aponta para uma confusão, conjunção, entre ficção, fantasia, e mídia com a “realidade” posta aos personagens. Enfim é isso ai não sei terminar textos então cabou.

NOTA #1 [18/07/2019] (RJ I)

A gente não quer só bebida, diversão e arte!

A gente quer comida para qualquer parte!
Sim, sim… a gente não quer só entretenimento. A gente quer uma perspectiva objetiva de futuro. Dali pra frente a gente bota a imaginação pra funcionar e cria superestrutura sob a infraestrutura reativa e criativamente. Não vou nem entrar no papo sobre a sobrederminação porque é bobagem repetir que economia planificada é a salvação da lavoura e também porque o como se chega lá é o papo fundamental pra como o comunismo vai funcionar.
 A gente sabe ainda que a perspectiva mais objetiva de futuro, organizada dentro do campo popular é o Periferia Sem Fome, do MTST. Claro, isso não é pouca coisa. Ainda mais se isso tivesse a capacidade de se massificar em direção às periferias do Brasil. Também ta na cara o tamainho que o MTST tem frente às alternativas que a caridade paraestatal e estatal tem a oferecer.
Isso tudo pra dizer que “Vamo faze dinheiro galera” (FIDEL). Vamo não morre de fome, paga as conta porque a primeira tarefa do revolucionário a manter-se vivo. Agora… sobreviver… resistência… isso é muita resignição. Eu preciso pelo menos de uma fábula que invente uma história de como se manter vivo ajuda a fazer o mundo melhor pro meu filho. Ninguém aqui, evidentemente, quer fazer qualquer coisa… e ai fica minha pergunta… como o Oficina Acadêmica colabora pra tomada de poder?
E só pra aproveitar a nota… Bora se doidão e dizer pra quem ta puto que o certo não é mesmo pensar com as entranhas? Mais ódio, por favor!

NOTA #6 [06/06/2019] (RJ I)

Como o militante pesquisa? No seu engajamento junto com outros militantes numa Ideia comum, duvidando das explicações que se apresentam para o fracasso, a frustração e o sofrimento. A Ideia, que de maneira errática se desloca no campo transindividual do inconsciente esporadicamente sendo ela mesma o próprio alinhamento dos buracos singulares dos desejos rumo a um futuro novo, para além das repetições da “amizade com o sintoma” que propõe a social-democracia, é a Ideia Comunista. 

 
Para para prosseguirmos na pesquisa sobre a hipótese em encarnar este alinhamento de desejos, que por sua vez deve ser capaz de produzir novas determinações, é necessário engajar-se nas tarefas necessárias para tomar o poder. Não é possível mudar o mundo sem operar os instrumentos de imposição da arbitrariedade de uma nova norma social. Se não existe sujeito sem a introjeção da arbitrariedade da linguagem, não existe sujeito emancipado do capitalismo sem a imposição arbitrária da ditadura do proletariado. Nem todos os sujeitos terão agência no estabelecimento desta etapa primeva de construção do comunismo que se chama socialismo. Importa menos desenvolver dispositivos para o estabelecimento de uma democracia participativa de alta intensidade do que desenvolver um corpo capaz de impor um novo modelo de liberdade a seja quem for. A medida do limite da imposição arbitrária é o quanto a imposição pode ricochetear e acabar fortalecendo os movimentos de reação reformista ou reacionária. Os comunistas não são de esquerda. A revolução socialista jamais será democrática para a forma reacionária do indivíduo moderno.
 
A pergunta que decorre deste pressuposto é: quais são as estratégias e as organizações que podem vir a desempenhar o papel de imposição de ditadura do proletariado no sentido de serem dirigíveis pela crítica da economia política e disporem de disciplina e recurso para cometerem os crimes e barbarismo (adjetivações estas feitas desde um ponto de vista do individualista, pretensamente autorealizado e formalmente tomado como imaculável desde sua alocação minorada sob o Estado Capitalista, indivíduo moderno) irresolutamente necessários para o desmantelamento da economia capitalista periférica em direção a assunção de lugares desorganizadores da divisão internacional do trabalho que vigora nesta lógica da economia dependente?

NOTA #5 [06/06/2019] (RJ I)

De novo, nós temos que renovar nosso servidor. Os CEII tem suas contas para manter nossa modesta infra online né. Pena que ela ainda é subutilizada. É engraçado com tudo isso disponível o problema vira de a falta de acesso a varias coisas para não “se achar bom o suficiente” para usar elas.

Nota CEII SP [02/07/2019]

“É só quando entramos em desespero e não sabemos mais o que fazer que mudanças podem ser implementadas – nós temos de passar por este ponto zero de desesperança.”

FONTE: Zizek, Slavoj. A coragem da desesperança: Crônicas de um ano em que agimos perigosamente. São Paulo: Ed. Zahar, 2019.
O Brasil de 2019 está próximo deste ponto zero?

Nota CEII Sp [02/07/2019]

Gostaria de sugerir ao coletivo que fizéssemos em nossa reunião quinzenal uns 10 minutos de notícias gerais. Focando mais em política e acontecimentos do Brasil. Porque às vezes, com a correria do dia a dia a gente não consegue se inteirar das notícias que estão acontecendo e muitas vezes somos pegos de surpresa com algumas delas. Não sei se é legal, se os camaradas vão curtir mas é uma ideia.

Nota CEII SP [02/07/2019]

(…) Quando lemos um pronunciamento “ideológico” abstrato, sabemos muito bem que não é desse modo que  “pessoas de verdade” o vivenciam: para passar das proposições abstratas para a “vida real”, é preciso acrescentar às proposições abstratas a densidade insondável de um contexto de vida no mundo – e a ideologia não se constitui de proposições abstratas em si mesmas, porque ela é antes essa própria textura de vida no mundo que “esquematiza” as afirmações, tornando-as “vivíveis”. Tomemos como exemplo a ideologia militar: ela só se torna “vivível” contra o pano de fundo das regras e dos rituais obscenos não escritos (canções de marcha, insubordinações, insinuações de natureza sexual…) no qual se insere. E é por isso que, se existe experiência ideológica em estado puro, em nível zero, é no momento em que adotamos uma atitude de distanciamento sábio e irônico e rimos das tolices nas quais estamos dispostos a acreditar: nesse momento de riso libertador, quando olhamos de cima o absurdo de nossa fé, somos puros sujeitos de ideologia, quando a ideologia exerce seu domínio mais profundo sobre nós. É por isso, por exemplo, que para os que quiserem observar a ideologia contemporânea em ação basta assistir aos programas de viagem de Michael Palin, transmitidos pela BBC: a atitude subjacente de distanciamento irônico e complacente diante de costumes diferentes, que se deleita com as peculiaridades locais e ao mesmo tempo filtra os dados verdadeiramente traumáticos, é o racismo pós-moderno em seu aspecto mais essencial. (Quando vemos cenas de crianças subnutridas na África, apelando para que se faça alguma coisa para ajudá-las, a mensagem ideológica subjacente é algo como: “Não pense, não politize, esqueça as verdadeiras causas da pobreza, apenas aja, dê dinheiro, assim você não terá de pensar!”(…) (Zizek, S. Vivendo no fim dos tempos, 2012, p. 19)