NOTA #1 [23/05/2019] (RJ I)

Acho que o exercício de sustentar ironicamente certos símbolos do socialismo realmente existente não era tanto uma estratégia de sedução com os setores da militância com os quais o CEII construiu uma aproximação. Não faria sentido fazê-lo, pois ninguém mais guarda identificação com aquelas experiências.
Acredito que havia ali um componente tático, por assim dizer. Ao modo tradicional do balanço crítico daquelas experiências, o pensamento cedia ao mais fácil: falar mal do que é ruim (“o horror totalitário stalinista”), falar bem do que é bom (“o sonho de uma sociedade igualitária”).  No final das contas, nenhuma autocrítica é possível nessas coordenadas, certo?

Eu diria que a percepção prática do CEII era que o progresso de certas ideias, importantes à esquerda, dependiam desse gesto – lembro de momentos (quase) ridículos em reuniões com o PSOL, onde os que mais falavam também encenavam que estavam ali sob vigilância de outro membro do CEII (sem que fosse totalmente mentira…), cujo silêncio absoluto na reunião causava o efeito buscado pelo coletivo diante de “militantes libertários do partido”.

Seria preciso sustentar uma certa desinibição diante do mal-estar ideológico causado pelo comunismo do século passado para dominar certas ideias. Penso que a maneira mais evidente de refletir sobre essa aposta é considerando as infinitas (e nervosas) discussões militantes sobre o lugar da organização para uma política de esquerda, socialista, comunista, anticapitalista etc, que testemunhamos de modo privilegiados junto ao PSOL.

NOTA #4 [16/05/2019] (RJ I)

Numa nota anterior, tentei compartilhar uma dúvida sobre a ideia de Estado de exceção em Agamben.
Minha dúvida envolvia o uso dessa noção entre militantes de esquerda. Essa dúvida decorria da impressão que o Estado de exceção parece ser utilizado por abordagens críticas da esquerda para denunciar formas de violação de direitos praticados por forças de segurança contra determinados segmentos da população, então postulando a ideia de Estado de direito como um remédio ao regime de violações do Estado de exceção.
Minha dúvida basicamente se deve à impressão que a ideia de Estado de exceção no autor não opõe o direito à violação do direito, como se a democracia fosse um antídoto contra a exceção.

Nota CEII SP 09/05/2019

A informação de nosso colega de que o Grupo de Estudos do Zizek continua recebendo mensagens, como também o sucesso das aulas a distancia que fizemos, pode indicar que temos uma demanda real de estudo/leitura desse autor, entre outros.

Como poderíamos nos aproveitar disso? Acho que seria interessante para divulgar tanto o CEII como o Zizek, autor tão maltratado pela esquerda por vezes.

NOTA #13 [08/04/2019] (RJ I)

O livro valsa brasileira da Laura Carvalho e prefácio do Haddad examina a tragédia econômica no segundo governo da Dilma

Num ponto específico ela aborda a queda de uma 9% per capita em apenas 2 anos 2015 2016 índice comparado ao de países em guerra. Mergulhando na maior recessao do pais em 120 anos

Sendo o livro escrito por uma economista ligada à esquerda essa seria o mea culpa q o PT não fez?

Ela propõe o aumento do endividamento externo como proposta para retomada do crescimento, para fins de investimento. Será uma boa via? Parece uma boa leitura para ser discutida

NOTA #10 [08/04/2019] (RJ I)

Sem estudar, acho curioso o uso do Agamben na esquerda. Pelo menos no meu contexto, a esquerda carioca parece vê-lo como um autor que auxilia à denúncia da violação do direito. Ao mesmo tempo, permitindo uma defesa do direito. Apontando essa “contradição”, no essencial, fica sugerida (e às vezes explicitada) uma discussão sobre democracia e ditadura. Nessas coordenadas, à discussão não envolve nem segue para nenhuma reflexão. Afinal, entre nós, quem poderia ser a favor da ditadura?
Mas, minha dúvida, é se esse é o sentido da reflexão do Agamben. Tenho certeza que não, mas a companhia da esquerda carioca me desencoraja.
Basicamente, acho, o que fica indicado na abordagem do Agamben sobre “Estado de exceção” é que, no essencial, ele é indistinto do “Estado de direito”. Além do plano político de análise, onde podemos observar como historicamente certos dispositivos legais são utilizados à perseguição destes ou daqueles grupos ou segmentos sociais, minha sensação é que o autor procura sinalizar como o ordenamento democrático inclui seu inverso. Um é o avesso do outro.
Nada a ver?

NOTA #9 [08/04/2019] (RJ I)

Enfrentar os meios de comunicação, ganhar eleição em contato direto com as massas, não fazer alianças espúrias para vencer a eleição, renovar o legislativo, governar sem o toma la dá fisiológico, governar convocando o povo para ir às ruas e aprovar as pautas. Esta foi a proposta do Psol e é o que o Bolsonaro faz. A extrema direita foi apenas mais competente. Pra nossas sorte, ambos estão errados.