Nota #1 [18/06/2012]

O que eu estou fazendo aqui?

O que nós viemos fazer aqui?

Descobrir a finalidade que justifique a existência desse grupo é a primeira questão que me surge nesse primeiro encontro. Acredito que nossos objetivos pessoais sejam um ponto de partida interessante para definirmos o objetivo do círculo, tendo os objetivos do Mais-Um destaque especial por pautar o que permanece no âmbito individual e quais interesses tornam-se de todo o grupo.

Minha primeira impressão do círculo é que ele é uma escola para militantes do PSOL. Não uma escola, pois dispensa esse caráter extremamente vertical das instituições modernas, mas um círculo de estudos, onde mestre e aprendiz estabelecem uma relação horizontal de aprendizado mútuo.

Mas aprender o quê?

Vim aprender a me organizar politicamente. Busco o embasamento teórico e a experiência prática que instrumentalize  a ação política, de forma que ela não se aliene de seu próprio objetivo, conformando uma ação irrelevante.
Nesse círculo, é do meu interesse exercitar e articular os dois momentos da práxis revolucionária: ação e teoria.
A referência inicial ao Que Fazer? do Lênin aponta que há uma preocupação dentro do círculo quanto ao papel do intelectual orgânico no partido revolucionário. Essa é uma preocupação que vai ao encontro dos meus objetivos pessoais, pois meu perfil acadêmico e meu contato com a obra de Antonio Gramsci me levaram a essa questão há algum tempo.

Compor um grupo de pensadores que funcionem como intelectuais orgânicos do Partido Socialismo e Liberdade, tornando-se uma das orientações à ação política do partido me parece ser um dos objetivos desse círculo de estudos.
Temos um papel como intelectuais orgânicos e exercê-lo é nossa responsabilidade, sobretudo do Mais-Um, que conduzirá nosso processo de construção do círculo.

Devemos nos tornar um polo autônomo de pensamento dentro do PSOL, conformar uma ideologia político-partidária que amarre os membros do nosso partido, mas principalmente que vincule nosso partido aos grupos sociais que visamos representar. O PSOL deve ser capaz de governar para além de suas bases, uma vez que se propõe defensor de parcelas marginalizadas da sociedade. Naturalmente, devemos tentar tornar esses grupos parte da base de nosso partido, mas nossa atuação deve transcender esse pragmatismo político e deve estar sintonizada com uma ideologia própria. Devemos lutar também por aqueles que não se sentem representados por nós e instrumentalizar a luta nesses diversos grupos. Achei especialmente interessante nossa preocupação em trazer parcelas marginalizadas da sociedade, as quais pretendemos defender devido a uma vinculação política, mas não necessariamente partidária, para que não nos alienemos do nosso próprio objetivo democrático de representar politicamente os excluídos. Esse tipo de vínculo social que transcende o mero pragmatismo político-partidário deve ser uma ética que garanta a expansão e a coerência daqueles que pensam e lutam pelas parcelas marginalizadas da sociedade: lutar por mais do que apenas os seus. Assim poderemos buscar solucionar a crise de representatividade que se impõe às democracias atualmente, decorrência da captura do Estado pelo grande capital, limitando nosso sistema político à injusta plutocracia que atualmente vigora.
O CEII não deve se preocupar com as urgências do processo eleitoral e responder a uma Guerra de Posição, mas ser um ator constantemente ativo na Guerra de Movimento levada adiante por nosso partido, na busca por um número crescente de votos com conhecimento, que legitimem não apenas uma eleição, mas a transformação estrutural que buscamos.

Nesse círculo, buscaremos articular a militância ao conhecimento: compor uma ideologia/ética político-partidária que reúna os sujeitos políticos em torno de si e materializá-la através da militância estratégica. Deve ser parte do trabalho partidário a fidelização a essa ideologia/ética e não a uma verdade política, pois esse conceito extremamente positivista e conservador não parece em acordo com a metodologia histórico-dialética e com nossos objetivos transformadores.
As derivações lógicas que resultam no nome do círculo (página 7) também não ficaram claras para mim. O que é ideia e o que é ideologia, nessa perspectiva?

Me parece que ideia é um objetivo político, um porvir expectado que estabelece o sentido de um grupo. Essa ideia estabelece uma relação dialética com a realidade, que surge de forma orgânica. Sendo assim, nossa ideia não pode ser confundida com uma verdade, limitando-se a ser o objetivo político de alguns. O comunismo honesto não necessita de uma ideia comum, mas de uma ética comum para lidar com as diversas ideias. Trabalhar com verdades nos aproxima do doutrinamento e nos afasta da transformação orgânica, plural e democrática. Devemos lembrar que socialismo e liberdade são dois ideais de igual peso para o nosso partido.

Venho a esse círculo para me tornar um intelectual orgânico do PSOL.