NOTA #1 (22/09/16) PR

A pergunta: o que é? o que é ‘estar sendo’? Bem, apesar das inúmeras interpretações da filosofia hegeliana nesse tópico, uma me agrada bastante. É a resposta que de Beauvoir dá no Segundo Sexo (o uso do devir hegeliano como forma de constatar que o que é, já não é mais; e se não é, não foi.) O existencialismo casou com a Fenomenologia de Hegel,  Foucault reconhece na sua Gênese e estrutura da antropologia em Kant que, o problema do homem começa a ser respondido com Hegel e Marx, portanto, a questão de pensar o Eu tem vários nós e também nós (como pessoas [ Eu e os outros/ vários Eu’s]- não é atoa a dialética do reconhecimento em Hegel  –  aqui, queria ainda lembrar, na relação explicador e incapaz, o realmente incapaz é o explicador! pág. 20 do Mestre ignorante).
Quando falamos de Hegel e o seu Absoluto, acho importante salientar que esse não é algo estático ou imóvel. Como tudo na filosofia de Hegel é um mero momento do devir. Sobre a discussão do tempo(e toda a relação com a existência) aqui e agora, isso me lembra o primeiro capítulo da Fenomenologia. O agora como nesse momento único que, ao referir-me a ele já não é, desvanece.
Toda essa discussão relaciona tanto Hegel, Heidegger, os existencialistas e, também, a psicanálise.

NOTA #1 (24/08/16) PR

Será que um dia poderemos todos chegarmos a um nível de auto-consciência e emancipação intelectual que nos permita compreender que o mundo é uma infinita teia de inquantificáveis relações? Compreenderemos que um indivíduo somente pode existir como limite da infinita finitude do outro e apenas por mediação do reconhecimento dele e vice-versa? Pensar o mundo dialeticamente implica aceitar que não há, em última instância, qualquer diferença substancial irreconciliável, mas que o Todo é o Um, e nós e todos os elementos do mundo somos apenas a Multiplicidade do Universo. Somos partes do Todo, Múltiplos do Um. Nós somos os “nós” das cordas que formam o Real. Acho que isso constitui um pouco do aspecto implícito na ideia de igualdade de inteligências. E um dos axiomas dos quais podemos partir pra nos permitirmos a verificação dessa ideia.

NOTA #1 (17/08/16) PR

Acho que não devemos ter chance de arriscar e construir algo diferente dentro do CEII. Não é preciso referenciar autores, nem é preciso citar livros. A construção de um conhecimento pode se dar de modo livre e confluído sem que façamos engendramentos teóricos rigorosos. Nos permitamos arriscar e nos produzir ideias. O aprofundamento teórico é apenas suporte auxiliar disso, mas não deve ser visto com condição de restrição da participação.

NOTA #1 (03/08/16) PR

A capacidade de aprendizagem pela livre associação e pela própria auto-instrução por meio da experiência que Rancière parece nos apresentar traz uma importante contribuição para o engajamento e a organização interna do Círculo. Isso porque parece justamente fundamentar a proposição de um princípio da igualdade que permite com que não haja qualquer tipo de hierarquia de saber dentro do CEII. Como “não há um ignorante que não saiba um punhado de coisas”, todos ocupam uma posição de igualdade enquanto ocupantes de uma posição de “não-saber” que, paradoxalmente, é também uma posição de saber (justamente pela ciência do desconhecimento). Se saber que não se sabe alguma coisa já é saber algo. E essa é uma condição importante para reconhecer todos os membros do Círculo como potência latente. Por isso não devemos ter medo de errar e nem de arriscar; o Círculo é um espaço de construção.