NOTA #3 (20/10/16) PR

Em alguns estudos sobre educação infantil encontrei uma escola modelo chamada Reggio Emília na Itália que trabalha a criança como positiva capaz produtora de cultura. Expressões que se manifestam de várias formas de linguagem. O livro que fala desse modelo inicia com o seguinte poema.
AO CONTRÁRIO, AS CEM EXISTEM

A criança é feita de cem.
A criança tem cem mãos
Cem pensamentos
Cem modos de pensar
de jogar e de falar.
Cem sempre cem modos de escutar
as maravilhas de amar.
Cem alegrias para cantar e compreender.
Cem mundos para descobrir.
Cem mundos para inventar.
Cem mundos para sonhar.
A criança tem cem linguagens
(e depois cem cem cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura
lhe separaram a cabeça do corpo.
Dizem-lhe:
de pensar sem as mãos
de fazer sem a cabeça
de escutar e não falar
de compreender sem alegrias
de amar e maravilhar-se
só na páscoa e no Natal.
Dizem-lhe:
de descobrir o mundo que já existe
d de cem
roubaram-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe:
que o jogo e o trabalho
a realidade e a fantasia
a ciência e a imaginação
o céu e a terra
a razão e o sonho
são coisas que não estão juntas.
Dizem-lhe
que as cem não existem
A criança diz:
ao contrario, as cem existem.

NOTA #2 (13/10/16) PR

Muito boa a reunião do curso do ceii na UENP. Observamos no mesmo dia a realização da assembleia para mobilização dos estudantes contra as diversas investidas golpistas e a questão orçamentaria da universidade. Porem tal sensibilização não esta presente em grande parte dos alunos, que acredita que suas vidas não serão afetadas pela pec 241 e a saúde orçamentaria da uenp não é a tragédia que tentam pintar. Diante disso, incide a reflexão do porque grande parcela discente tende a menosprezar as motivações da mobilização e apenas uma minoria possui o ânimo de tentar mudar a realidade. Egoísmo? falta de sentimento coletivo? desinformação? esteriótipos e rótulos? Talvez um pouco de cada, somado com cursos que não perceberam que estão em uma universidade, comportando como se fossem faculdades agregadas. Enquanto isso, os pagamentos mínimos para a manutenção de toda a estrutura universitária continuam a atrasar, estamos caindo em um abismo com nossa velocidade acelerada em progressão geométrica a cada dia de nossa inércia. De certa forma, as investidas que nos atingem diariamente, ocorrem porque as políticas públicas, que pela lógica deveriam ser em prol da população, estão submetidas ao poder econômico, negociadas por uma classe política suína, detentora do poder político, na busca pela propagação e intensificação do poder econômico. Um ciclo de tragédias.

NOTA #1 (13/10/16) PR

Nesse momento estou trabalhando com uma ideia de usar os textos da coleção não lançada chamada “Punições” de Franz Kafka (que conteria “O Veredicto”, “Na Colonia Penal” e “A metamorfose”). Na primeira parte, optou-se por situar a literatura dentro do contexto e do conceito de “Arte”. Para isso, utilizamos a Fenomenologia do Espírito e o Sistema das Artes de Hegel. Depois, em um segundo momento, foi feita a analise do Pathos e definido o que é “artista”. A parte final, que ainda está em desenvolvimento, utilizaremos Freud, especificamente seus textos sobre neurose obsessiva (o caso do homem dos ratos), sobre sintoma e angustia e fetiche, para entendermos o comportamento frente às relações de autoridade presente nos textos.

NOTA #4 (29/09/10) PR

– Comentamos sobre a participação do candidato para preifeito, Rafael Bonito do Psol, na transmissão ao vivo no facebook, junto ao “CEII convida”.
– lemos a nota do nosso companheiro Antonio Salomão. Sobre Hegel, Foucault…
– Observações sobre Lacan.
– Conjuntura: “continuação” da operação lava jato.
– Continuação da leitura “Mestre Ignorante” do autor Rancière.

REFERÊNCIAS 11/10/2016 (RJ I)

 

RESUMO DO TEXTO “MATERIALISMO REVISITADO”

Ponto de partida: o relativismo do conhecimento científico, introduzido no partido bolchevique através da ala de Bogdanov, confronta a concepção leninista do saber a respeito de como intervir na realidade social. Lenin então responde a essa tendência idealista com um livro, chamado Materialismo e Empirio-Criticismo.

1. Senso comum: “a ciência superou a matéria”
– debate entre Lenin e Bogdanov sobre ciência, materialismo e relativismo.

2. Tese básica de Lenin
– recusa de reduzir o conhecimento à convenção instrumental
– mas o conhecimento é ainda assim situado, ligado à concretude histórica

3.Lenin e Hegel:
– apesar de baseada em Hegel, a concepção dialética de Lenin não é propriamente hegeliana

4. O materialismo em Lenin e Adorno:
– tanto Lenin quanto Adorno definem o materialismo como a prevalência de algo externo e não-mediado sobre o conhecimento e a internalidade, mesmo que indiretamente.

5. O idealismo no materialismo de Lenin:
– a questão é: de que ponto de vista é possível afirmar que há algo que permanece além do que podemos afirmar? Essa posição presume que o que é “interno” está fora do mundo (fora da externalidade), e presume que é possível dizer algo sobre o que acabamos de afirmar estar para além do que podemos dizer.

6. Duas posições sobre a distorção da realidade:
– é possível defender que temos uma visão parcial da realidade porque o saber está fora da realidade, apartado do que lhe é externo, mas também é possível afirmar que essa distorção parcial advém do fato de estarmos imersos na realidade, do fato de que nossa visão interna, separada do mundo, é afetada pelo fato de estarmos no mundo.

7.Diferença entre materialismo e idealismo:
– assim, a diferença entre materialismo e idealismo decorre não da defesa da matéria, mas da questão da totalidade: existe ou não um ponto de vista de onde podemos falar do todo (do que é interno e do que é externo)? Se afirmarmos que o que é interno está fora do mundo, e que é dali que é possível ver o todo, então temos a matriz idealista (que coloca um ponto fora do mundo para poder pensar o mundo como um todo), se afirmamos que a separação entre interno e externo como sendo fruto da própria imersão na realidade, de modo que o desconhecimento do externo é um aspecto da própria externalidade, então temos o ponto de vista da totalidade, e o materialismo.

8. “não há universo como um todo”:
– isso é, o excesso que atrapalha a visão total é parte do que precisa ser visto, parte da totalidade.

9. Hegel e o Budismo:
NADA ==> APARÊNCIA -> SER

10. Hegel e Heidegger:
– SER ==> MUNDO -> ENTE SUPREMO

11. Hegel e Marx:
– FORMA DO VALOR ==> VALOR DE TROCA -> VALOR DE USO

12. Hegel e Freud:
– REAL ==> REALIDADE -> SATISFAÇÃO

13. Hegel e o Infinito:
– INFINITO VERDADEIRO ==> FINITO -> INFINITO ESPÚRIO

14. Hegel e Laclau:
– ANTAGONISMO ==> SOCIEDADE -> POLÍTICA

15. Hegel e a ambiguidade em Kant:
INEXISTÊNCIA DO MUNDO => FENÔMENO -> NÚMENO

16. Idealismo:
– há um fora do mundo que garante o mundo:
existência do mundo -> limite, exceção ou garantia

17. Materialismo:
– não há um mundo pois não há um fora do mundo:
inconsistência do mundo ==> consistência -> excesso suposto “de fora”

18 Lenin versus Kautsky:
– a questão era a passagem da classe trabalhadora para agente revolucionário:
classe trabalhadora -> agente revolucionário

– se a passagem é imanente: a transformação é sem mediação, e o saber (a mediação) é científica e imparcial
– se a passagem é condicionada: a transformação é mediada, e o saber é político

19. A questão é o estatuto do conhecimento revolucionário.

20. Quatro modalidades do conhecimento de acordo com Lacan:
– o Know How (saber na realidade sem pensamento)
– A teoria desinteressada (saber pensado sem realidade)
e, na modernidade:
– O conhecimento científico (saber pensado que toca na realidade)
– O conhecimento burocrático (saber da realidade com expressão pensada)

21. Paradoxos do conhecimento moderno:
– O paradoxo científico: do ponto de vista da ciência moderna vemos que o não-saber pode tornar possível certos saberes práticos, como andar, respirar, etc – operações complexas que são sintetizadas através de nossa ignorância de estarmos coordenando tantas variáveis ao mesmo tempo. A explicitação de todas as variáveis – aspecto essencial da ciência – tornaria impossível sua execução. É um paradoxo sobre a prescrição, em que a realidade excede o saber.
– O paradoxo burocrático: do ponto de vista da burocracia vemos que a pura descrição da realidade pode afetar a realidade – como no caso em que uma pessoa ainda viva aparece no sistema como morta, e essa informação errada afeta a realidade da pessoa. É um paradoxo sobre a descrição, em que o saber excede a realidade.

22. O conhecimento na psicanálise:
– o analisando não sabe o que tem
– o analista é necessário para que esse saber seja produzido
– mas o analista não sabe o que o analisando tem
– O estatuto do conhecimento transformador diz respeito ao estatuto da externalidade desse saber em relação ao conhecedor: está fora dele, mas esse “fora” não existe

23. O conceito de verdade:
– verdade como conhecimento imparcial ou neutro
– verdade que considera os efeitos do engajamento e da ignorância sob a realidade (verdade situada no mundo que descreve)

24. O estatuto do saber sobre o que o outro sabe:
– enigma do conhecimento: como é que saber que o outro sabe pode alterar a economia psíquica de uma situação?

25, O estatuto do engajamento:
– marxismo com religião: afirma que um ponto de vista parcial pode revelar a totalidade – ou seja, reconhece uma externalidade ao conhecedor como essencial à superação dos limites do conhecedor
– marxismo contra a religião: a parcialidade não revela, mas produz o saber da totalidade – ou seja, toma essa externalidade como puramente formal, e não um conteúdo escondido que vem à luz.
(fenomenologia discorda da religião na primeira asserção e concorda na segunda)

26. Deus, partido, analista
– “obstáculo materialista”: é impossível ver-se vendo, mas também não há nada para olhar até se tentar superar esse obstáculo

27. Brecht e a autoridade do partido:
– conhecimento político x forma do conhecimento

28. Diferença formal:
– obstáculo externo (forma consistente x elemento externo que atrapalha a harmonia)
– obstáculo interno (forma cuja exterioridade é parte de sua totalidade)

29. Externalidade formal:
– forma positiva que separa o dentro do fora
– forma que inclui o que está em excesso a ela

30. Interpretação x formalização:
– interpretação: dar sentido ao que está fora (seus impasses são obstáculos)
– formalização: recriar o fora dentro de um sistema formal (seus impasses são objetos)

31. Dialética da forma:
– Comunismo (antagonismo interno à forma, luta de classes) -> Nazismo (conflito externo à forma, luta entre grupos)
– “a forma é o próprio princípio de concreção”
– forma cria o objeto que a excede (formalização)
– forma como moldura neutra que organiza e representa o que não é formal (formalismo)

32. Marx, Freud: formalizadores
– Freud:
ação: transferência formaliza a relação libidinal
teoria: teoria de como o sonho cifra uma inconsistência
– Marx:
ação: não há uma teoria da formalização transformadora
– teoria: teoria da forma-mercadoria

33. Hegel e a forma:
– Fenomenologia do Espírito: história das formas da subjetividade (da encarnação da externalidade na forma do pensamento)

Nota #1 (08/09/16) PR

Tinha como expectativa, ao entrar no CEII, criar uma disciplina de estudos e diagnosticar nas reuniões com o grupo quais são os reais impeditivos para me debruçar em leituras mais profundas. Logo de cara presenteada com a leitura de o mestre ignorante evidenciou-se a dificuldade que esta sendo e é de se livrar da inteligência que vê como resultado o ser bem sucedido e, ainda, como este objetivo desestimula a existência. Uma vez que negando a si escolhe-se um outro um modelo para que os seus caminhos a sua forma de pensar seja obrigatoriamente substância para um fim comum. Mutila-se a diversidade dos seres e das inteligências em troca do caminho mais “certo”.
Sinto que essa experiência tem me despertado como ser. De forma a encontrar nas reuniões e nas leituras minha expressão de existência.