NOTA #1 (27/05/17) PR

“Uma vez que a greve é usada para fins de poder, ela se torna política. Em poucas palavras, a classe operária ‘não tem o direito’ de usar seu poder fora dos limites da legalidade burguesa, que é, evidentemente, a expressão do poder de classe da burguesia. Como podemos ver, não se trata mais, de modo algum, de um conflito de direito. Trata-se de luta de classes: de uma lado, o direito, inclusive o direito de greve; de outro, o ‘fato’ das massas, isto é, a greve; de um lado, o poder legal; de outro, um poder bruto, elementar, inorganizado. Pois há realmente dois mundos: o mundo do direito, da harmonia, do equilíbrio, e o mundo do ‘fato’, da anarquia, da violência. Tudo o que não é jurídico é perigoso, porque pertence ao domínio do ‘inominável’, do obscuro, do não dito, ou seja, do não classificado. No inominável, além das fronteiras, portanto além dos oficiais da alfândega”. (Bernard Edelman. A legalização da classe operária, p. 56, 57).

NOTA #2 (06/05/17) PR

“Reduzida a um sindicalismo forte, pagando o preço desse sindicalismo: respeito à propriedade, respeito à liberdade individual de trabalho, respeito à regulação, e a classe operária? Sem voz ou, quando toma a palavra, acusada de anacronismo – ao lado de Lenin ou Marx, o que não é tão mal -, acusada de espontaneísmo – ao lado de Mão -, ‘presa’, capturada nas categorias jurídicas, esmagada pela ideologia, pela tecnicidade, pelo economicismo, ela é obrigada a negociar, a exprimir-se na linguagem do ‘comedimento’, da ordem e do direito. Em suma, exige-se dela a mais bela das qualidade burguesas: a passividade.” (Bernard Edelman. A legalização da classe operária, p. 141).

NOTA #2 (29/04/17) PR

A palavra vândalo significa aquele que destrói o bem público, a coisa pública, bens que integram o patrimônio de uso do público ou do Estado de modo geral.
Quando alguns, por força de uma explosão de afetos e de forças utópicas má compreendidas pela nossa ortodoxia e por nossa paranóia maníaco-compulsiva de enquadrar todos os fluxos de violência do estado de coisas em embalagens pré-prontas e idealistas – isto é, carentes de um conteúdo efetivo, ou seja, de uma compreensão material e propriamente conceitual do objeto -, investem-se esbaforidamente contra as coisas públicas, trata-se de um escândalo digno de invocação das maiores reprovações e escandalizações do senso comum, sempre bem intencionado (das quais, nos lembra o velho ditado, o inferno está cheio).
Mas depredar o patrimônio público a fim de se enriquecer às custas da instalação progressiva de uma barbárie social a partir das invectivas auto-legitimantes de um corpo particularizado que se nomeou Estado – cuja estrutura jurídico-política padrão, há tempos profana Agamben, é de exceção -, e que é na verdade a máscara de uma máquina imperial oligocrata… Ah! isto não merece dos cidadãos uma só contra-reação contundente.