NOTA CEII SP #9 [17/10/2018]

O homem agora diante da fragmentação força a matemática a orientar-se para um novo objetivo, com isso, afirmam-se mais uma vez a distância que há entre o discurso e o mundo. A matemática moderna se insurgiu como uma forma madura de cuja objetividade reside no fato de admitir que seus teoremas não sejam capazes de penetrar a realidade garantindo verdades universais como foi outrora. O dado a priori de verdade inquestionável perde-se na gama de princípios colocando-a em seu devido lugar, a saber: na dúvida. Tomado como um amadurecimento viril, a passividade dos teoremas não se torna mais, uma necessidade formal, antes define a relação da matemática com seu processo interior e sua relação com o mundo circundante. De chofre, descortinam-se então seus teoremas abandonados por uma verdade inquestionável. O matemático ironicamente desmitifica seu próprio labor. A objetividade orientada para uma nova relação reside, assim, na perda de crença na transcendência afirmativa entre discurso e mundo. O fato simbólico ganha independência de sua representação e, por sua vez, a suposta representação age da mesma forma. A morte da verdade na matemática admite a tônica moderna, de contrariedade do essencial.

NOTA CEII SP #8 [17/10/2018]

No CEII os processos de entendimento do que é o próprio CEII são mais longos. Por exemplo, só agora, depois de quase dois anos passei a entender melhor algumas dinâmicas e tarefas em comum, isso porque fui em algo para além das reuniões semanais… O que implica que talvez, fosse importante nos encontrarmos fora das reuniões também.

NOTA CEII SP #6 [17/10/2018]

No que atine ao fim do trabalho fordista, a tese de Sthéphane Beaud, com dados da situação francesa, mostra que mais do que o fim do operário, o que ocorreu foi uma invisibilidade da condição operário. Inclusive, faz uma pergunta acerca de quantos operários existiriam na França e mostra como as respostas subestimaram a real situação. Podemos perguntar: quantos operários existem no Brasil?

NOTA CEII SP #5 [17/10/2018]

No que atine ao fim do trabalho fordista, a tese de Sthéphane Beaud, com dados da situação francesa, mostra que mais do que o fim do operário, o que ocorreu foi uma invisibilidade da condição operário. Inclusive, faz uma pergunta acerca de quantos operários existiriam na França e mostra como as respostas subestimaram a real situação. Podemos perguntar: quantos operários existem no Brasil?

NOTA CEII SP #4 [17/10/2018]

Continuo achando que é um aposta muito válida retomar os projetos externos do ceii. Há muito tempo que eu não me incomodava de estar distante das reuniões, como não tem os áudios, eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Mas com os eventos que tem acontecido e os que estão por acontecer o incomodo de estar distante tem dado suas caras, o que eu acho muito bom.

NOTA CEII SP #3 [17/10/2018]

O livro de Badiou se chama Ser e Evento, porém um estudo minucioso revela que, na realidade, o que se antepõe ao evento não é o ser, mas o Estado.
Toda a teoria de Badiou é uma tentativa, buscando seguir a linha aberta por Deleuze de afirmar o axioma da multiplicidade do ser.
O ser é múltiplo, sobretudo se tivermos em conta o múltiplo puro.
É o estado da situação que reconta por um tais múltiplos, ou seja, que os re-apresenta, os contando como partes da situação, que revela a conservação da multiplicidade e da situação.
Nesse sentido, o evento não se antepõe ao ser, posto que o ser é múltiplo. Ao que o evento se antepõe é ao Estado, que em seu excesso representativo conversa a apresentação dos múltiplos da situação, e impede o surgimento ou apresentação de outros múltiplos.

Nota CEII SP #1 [17/10/2018]

A noção de cultura é, por um lado, extremamente elitista quando quer excluir: isto é culto, isto não é. Por outro, é extremamente alienante quando quer incluir: tudo é cultura, não temos Cultura, temos culturas. Multiculturalismo é uma praga. Culturalismo é um veneno que, junto com a praga, intoxica a plantação. O multiculturalismo esvazia a noção de universalidade da experiência humana. O culturalismo está por trás de uma história de violência, invasões, vilipêndio em nome da Civilização contra a bárbarie. É um binômio assustador.

Mas no livro do Tales Ab’Saber não se trata deste binômio, mas exatamente do consumo da boa cultura (mercadoria) e da baixa cultura (mercadoria). O moralismo cultural de
Tales Ab’Saber é de um elitismo irritante: quando fala em “culturas muito baixas”,
quando fala de que forma é ou não adequado consumir aí sim parece impor – como os
países civilizados sobre os bárbaros – sua experiência de intelectual aos reles mortais:
viajar é luxo, comprar tênis é lixo, ouço nas entrelinhas do livro. O intelectual de classe
média que se coloca acima das classes (extratos) sociais critica a classe média e em um discurso populista assume que fala em nome dos 99% contra o inimigo comum e
fantasmagórico: a classe média.