NOTA #10 [27/05/2020] (RJ I)

A reunião junto ao camarada Aiello, do Paraná, foi interessante. Pudemos fazer uma retroação os áudios das reuniões do CEII desde quando ainda só havia a célula do Rio de janeiro. Ao mesmo tempo pudemos trocar uma ideia sobre como CEII se comporta nos dias de hoje. De minha parte e de alguns camaradas compartilhamos algumas ideias possíveis de como nós apresenta, o CEII nos dias de hoje: um coletivo que experimenta formas diferentes de se tentar organizar e reorganizar o trabalho. É o que vimos em projetos como o Oficina acadêmica e o EAD, e a própria revista crise e crítica (que hoje se autonomizou do coletivo e outros projetos. O integrante do CEII simplesmente pode pegar carona no projeto ajudando ele a funcionar, e então ele pode aprender a fazer algo e ao mesmo tempo usufruir dos ganhos que o projeto pode lhe proporcionar. Esse vai-e-vem a que os militantes do CEII estão expostos, (uma vez que eles transitam por diversas atividades do coletivo) muitas vezes me faz pensar o CEII como uma espécie de incubadora de projetos.

NOTA #5 [10/06/2020] (RJ I)

O pessoal fica zoando com negócio de roteirista do Brasil, como se o país fosse uma série e tal, mas é mesmo difícil pensar que a emergência conjunta de tanta coisa bizarra é pura contingência. Parece que sem inserir alguma noção de “planejamento”, nem que seja ficcional, não dá nem pra fazer um mapeamento cognitivo (?) do negócio, nem pra suportar a realidade.

(Não sei se isso é específico dessa situação que vivemos, mas me parece particularmente evidente aí, sei lá.)

NOTA #8 [03/06/2020] (RJ I)

Há as éticas deontológicas, cujo sentido está na intenção de seguir a regra, mesmo que as consequências não sejam as melhores; o correto não é objeto de cálculo de bem estar, mas questão de princípio para além de todo prazer. Há as éticas consequencialistas, em que a lógica parece ser justo o oposto: o melhor é a consequência, pouco importa a intenção; o cálculo de bem estar, individual ou coletivo, é tudo. Sempre tive achei difícil pensar a ética da virtude sem introduzir aí ou bem a noção de princípio, intenção ou ideal (e aí recair na deontologia) ou bem a noção cálculo, ainda que sofisticado, de bem estar (e aí cair no consequencialismo). Diga-se de passagem que cada uma dessas duas grandes correntes da ética de certa maneira reivindica para si própria a ética das virtudes. O segredo talvez esteja na noção de hábito, no sentido de um regra que cria uma vida. Pois se, em deontologia e consequencialismo, o princípio da regra é externo à vida, ou ao menos pode ser colocado facilmente nessa relação, o hábito é o ponto em que vida e regra parecem se indistinguir.

NOTA #8 [27/05/2020] (RJ I)

Lendo o Libertando o pensamento dos pensadores. A hipótese central é a de que há ideias que só podem ser produzidas por uma prática social. Tais ideias não coincidiriam com os ideias, que são sentidos que fazem identidade de grupos, mas seriam conceitos racionais que produzem efeito no mundo. O ponto de partida para pensar esse tipo de ideia é a noção de valor, em Marx. Valor é uma propriedade que só se produz pela relação entre mercadorias, tal como a relação de peso se faz entre coisas materiais. A diferença é que o peso existe antes de ser expresso por outra coisa material, enquanto o valor só passa a ter existência na relação social em que ele aparece, na qual ele expresso. Temos aqui um ser que é: i) em função de uma relação; ii) não mais que sua aparência ou seu aparecer que, ademais, extrapolando já o que ficou até aqui, faz aparecer retroativamente o valor como propriedade intrínseca da mercadoria enquanto tal. Ora, o que gera o valor enquanto modo de ser da mercadoria é a prática social da troca.

(Pensar que conceito de natureza está em jogo quando se pensa a relação de peso como natural e a relação de valor como sobrenatural. Fato é que sobrenatural aqui não é brincadeira: pensa a autonomização de algo em relação aquilo que o produz e do qual depende a consistência do seu ser. É isso o fetichismo da mercadoria, por sinal. É aqui se pode pensar a alienação, nos vários sentidos do termo.)

(A lógica social do “como se” — agir “como se” — talvez seja o lugar onde se realiza a ideia de que a verdade tem a forma de ficção, entre outros sentidos, na medida em que certas coisas vem a ser o que são quando se age como se elas já estivessem lá, sendo que é essa própria ação que as produz. É o caso do valor. Talvez seja o caso do bem, em Platão.)

Mas por que isso seria um processo de pensamento sem que seja o pensamento de um pensador? Pelo que entendi, é porque acontece aí um processo de abstração sem que a consciência dos seres humanos individuais precisem estar envolvidas tematicamente com esse processo. Em outros termos, ao trocar mercadorias, os seres humanos envolvidos produzem a abstração que é o valor — que por fim se reconcretiza, digamos assim, em dinheiro, que, nesse sentido, é uma coisa concreta de alma essencialmente abstrata.

Ora, mas esse pensamento que foi discernido deixa-se pensar fundamentalmente, ao que parece, como ideologia, isto é, nesse caso, como fetichismo da mercadoria. Fica em aberto em que sentido preciso fetichismo e ideologia são o mesmo. A aposta, no entanto, é que seria possível pensá-la como ideia. É para discernir o que seria o “traço local” — “se há algum” — que o texto recorre ao texto do Agamben Altíssima pobreza.

Está em jogo pensar aí a indistinção entre vida e regra entre os monges franciscanos. Neles, a vida se indistingue da regra, e é isso que Agamben chama de “forma de vida”. Mas o que significa essa indistinção?

Parece que significa que, a princípio, não se pode pensar essa indistinção segundo o modelo em que em geral pensamos as regras: as regras são enunciadas e aí adaptamos mais ou menos a nossa vida a ela. No caso da vida monástica, é a própria regra que cria e a vida que a sustenta. O caso da regra, inscrita no livro de regras, de ler em voz alta as regras é exemplar. Mas por quê?

NOTA #7 [27/05/2020] (RJ I)

CEII APP

Depois de quase 2 anos e muitas madrugadas de trabalho, a primeira versão funcional da plataforma CEII está pronta!

Eu falei uns meses atrás dela aqui, mas ainda estava faltando várias coisas e não tinha suporte para celulares, mas não mais!

Com essa versão dá pra fazer:

Registro de membros e células de forma dinâmica. Você criar uma célula que ganha todos os seus registros próprios r e pronta pra receber membros.

Contabilidade e relatórios de reuniões individuais para cada célula no sistema.

Envio de notas e atualização automatica na contabilidade da célula.

É bem básico, mas organizar um sistema automatico desse tipo é difícil para caramba. Um sistema com tão poucas restrições e capaz de automatizar o máximo possível se interferência externa cria um emaranhando bizarro de funções que só piora o quanto mais você mexe nele.

Um exemplo é como funciona a criação de célula, depois de criada ela se torna permanente e o membro que criou vira SG. Uma célula pode ser desativada, que é o mesmo que esvaziar ela, mas sem tirar ela do sistema.

A condição para isso é que a célula só pode ter um membro, o SG, por causa disso os SG s só podem ser trocados se um outro membro pedir ao sistema para pegar o cargo.

Existem duas versões, uma de testes e a oficial que vamos usar. A parte de testes é onde eu faço mudanças se me preocupar em quebrar tudo. Quem quiser dar uma olhada e testar coisas pode usar a versão de teste:

versão de teste: https://ceii.bubbleapps.io/version-test/

Como eu falei, nessa versão você pode fazer o quequiser, por ela é separada daprincipal.

O site principal é esse: https://ceii.bubbleapps.io/

Esse é o link principal e no momento só eu tenho uma conta nele. Os links funcionam em celulares sem problemas.

Uma outra grande função é

APLICATIVOS

Abaixo as versões de teste e principal do aplicativo de smartphone (android) para o sistema.

Versão teste: https://github.com/Alex-B-Paula/CEII-APP/releases/tag/0.1.0

Versão principal: https://github.com/Alex-B-Paula/CEII-APP/releases/tag/1.0.0

O arquivo é um apk, você precisa baixar para o celular e instalar direto nele. Alguns smartphonesprecisam de autorização para instalar fontes desconhecidas (que não estão no Play store) nas configurações.

Você pode logar na versão teste do jeito que falei antes se quiser testar o app.

O app é um web wrapper, ou seja, você vai ver a mesma coisa que você veria se usasse o link no navegador do celular.

A diferencia é notificações, quem tiver o app instalado no celular vai receber notificações de avisos e de atualizações na contabilidade.

Obs: Galera do Iphone, é possível fazer uma versão app pra ele também, mas a licença da Apple custa 99 dólares por ano…..

Próximo passo para poder usar esse grande app é registrar os membros do CEII, que vai dar um pouco de trabalho. Se o grupo aqui do RJ for a favor da ideia vou começar por eles para começar a testar na prática.

Aqui termina minha apresentação, o que acharam?

NOTA #2 [17/06/2020] (RJ I)

“O que é uma reunião? Uma reunião é, sempre, a cura de uma divisão; da divisão a respeito do discernimento. Uma reunião implica construir uma unidade que não existe. Não consiste em assegurar a anuência das pessoas, independentemente de qualquer discussão. Não faz nenhum sentido se reunir, se todo mundo já está de acordo. Neste caso, o Secretariado Geral é suficiente. A reunião é a alma da política organizada e é o lugar concreto de existência do marxismo. É do sentido da classe, tratado em diferentes níveis – filosofia, ciência, economia, política – que vamos tentar estabelecer um princípio comum, superando, assim, a divisão empírica do discernimento e alcançando proposições precisas, concernentes à ação imediata. O lugar onde tudo isso deve ocorrer é sempre numa reunião. Qualquer reunião é, então, a prova de uma figura de aliança entre subjetividades dissímiles, dado que consiste, precisamente, na orientação compartilhada entre essas subjetividades; orientação esta que irá constituir uma nova força política na situação. A reunião é, portanto, o sentido vivo do próprio marxismo: ele existe ali. Não existe no que está escrito, nos livros, no passado histórico. O marxismo existe, verdadeiramente, no processo de uma reunião que pode ser pequena ou gigantesca, isso depende das circunstâncias.” (BADIOU)

NOTA #6 [27/05/2020] (RJ I)

Fiquei pensando esses dias no que o Badiou fala sobre “pensar o próprio fracasso”. É interessante (na verdade é uma grande merda) como no Brasil temos uma dificuldade tremenda de fracassar, o que nos dificulta de constituir um saber (possivelmente engendrado) pelo fracasso. É como se toda possibilidade de fracasso (que é também sempre uma aposta na vitória, até mesmo aos olhos dos reacionários) fosse preventivamente interrompida (uma expressão boa são os processos contrarrevolucionários no Brasil). Enfim, estaríamos vivendo uma espécie de contrarrevolução sem revolução?