NOTA #4 [10/06/2020] (RJ I)

Uma ideia que coloco aqui pra poder ser pensada seria a de que o ceii não tem um objetivo ou determinadas lutas pra combater mas será que o ceii persegue um objeto? porque de fato a multiplicidade de coisa que se faz no ceii todas mais ou menos tem um objetivo que é mais ou menos parecido que seria uma sociedade melhor, vamos dizer assim. Mesmo em cursos que o ceii da, a tônica de compreender tais autores não me parece ser para satisfação pessoal no sentido de atender a si mesmo. Mas me parece que seria uma ponte para algum determinado fim. No entanto, não vejo que esse fim ou outros fins que estejam sendo “trabalhados” no ceii sejam sós no coletivo acho que eles de alguma forma aponta pra algum tipo de melhora de vida das pessoas e da derrocada do sistema de uma certa maneira. Dito isso, acho que todas essas coisas não formam uma consolidação em uma luta específica mas tem por traz um objeto em comum que seria o comum mesmo ou talvez o comunismo, se quiser nominar o comunismo como algo que seja a emancipação das espoliação da vida ou apenas uma melhora radical de vida das pessoas. Se isso for verdade e isso significar a perseguição por um objeto talvez pensar os problemas do coletivo e do comunismo fosse necessária. Pensar sobretudo nas implicações e nos desafios sob essa perspectiva pudesse nos trazer mais contribuições. 

NOTA #1 [17/06/2020] (RJ I)

Pensando na primeira reunião do Subconjunto de Produção de Casos (SPC) que rolou na semana passada, fiquei pensando como seria interessante estudar alguns dos materiais do CEII (como as notas, os formulários de entrada e os de desistência, as atas de reuniões, etc.) através daqueles softwares sinistros de pesquisa? Tipo um NVivo assim (tô falando aqui, mas sou bastante inexperiente nesses métodos de pesquisa super modernos da área das humanidades).

NOTA #5 [27/05/2020] (RJ I)

As últimas reuniões confirmaram uma suspeita que eu já tinha há algum tempinho: as elaborações teóricas de uma “política da indiferença” advém, fundamentalmente, do campo da filosofia, certo? Fiquei pensando se possuímos atualmente algum equivalente dessas construções teóricas no campo da sociologia ou da antropologia. Isso existe?

NOTA #2 [10/06/2020] (RJ I)

Dois pontos que apareceram na última reunião e me deixaram curioso: 1. existia uma tensão na discussão do Ranciere sobre a igualdade das inteligências e a posição do mestre ignorante, pois se vc tenta emancipar alguém, vc estaria embrutecendo a pessoa, então como fazer algo que permita a emancipação sem embrutecer? Seria o plano formar esse espaço comum (o círculo) onde todos compartilham a ignorância e seus desejos de emancipação (cada uma, talvez, a seu modo)? E nesse sentido talvez até se pudesse arriscar em dizer que o comunismo do CEII é um comunismo da ignorância, de ter em comum somente essa ignorância de um fim claro, essa resolução de insistir no problema e permanecer no círculo. 2. o comentário de um companheiro sobre o CEII ser um tipo de metaorganização, uma organização que fala da organização e se sustenta ao manter a discussão (insiste no problema da ignorância de sua própria finalidade), e, hoje mais especificamente, um coletivo que parece renascer de si mesmo, de sua quase-morte, ao discutir sua história.

NOTA #8 [20/05/2020] (RJ I)

A primeira tese fundamental do anticomunismo atual, portanto, é a exclusão do liberalismo da sua história real, transformando-o em um mito, produzindo uma hagiografia liberal. Esse mito está profundamente ligado a outro elemento central: o recalcamento da questão colonial. A história da dominação colonial, ser constitutivo do capitalismo, é apagada como se nunca tivesse existido ou tratada de forma idílica, uma versão atualizada da ideologia do “fardo civilizatório do homem branco” (LÊNIN, 2016; LOSURDO, 2017).  

NOTA #5 [03/06/2020] (RJ I)

Em meio aos protestos que ocorrem nos EUA e no mundo talvez fosse interessante pensá-los junto com a discussão sobre o ceii. Acho que um ponto interessante seria de que maneira esse protestos são diferentes ou não do tantos outros no mundo. Talvez também dialogar com o que foi chamado de socialismo experimental colocado na última reunião. Sera que ja tem alguma análise vigente desse processo que se possa extrair algo? 
Atenciosamente,

NOTA #7 [20/05/2020] (RJ I)

Você já ouviu falar das OAD’s?

OAD’s são Organizações Autônomas Descentralizadas que juntam comunidades de internet em rede para a realização de um objetivo comum e usam o Blockchain como mecanismo de tomada de decisões.

-Descentralizada:

Não há uma liderança central, as decisões são tomadas de baixo para cima.

– Autônoma: A ideia ganha vida própria, e é capaz de incentivar os outros a fazer as coisas acontecer.

-Organização: Pode ter suas próprias regras e administra seus próprios recursos.

Entre as definições vemos as da plataforma Aragon que diz ser as OAD’s “inclusiva, transparente e um modelo global de coordenação humana. Para eles as dão um suporte para comunidades on-line permitindo a elas:

*Atrair e incentivar contribuidores para um projeto em comum. Além disso incentiva os contribidores dando voz a eles no futuro da organização.

*Pool Funds, um arranjo para levantar recursos em que uma grande quantia é levantada de uma só vez e usada no financiamento de projetos na ordem de prioridade. 1 As OAD’s usam criptomoedas, permitindo que todos de qualquer parte do mundo participe do pool fund.

* fazer a gestão desses recursos em juntos. As OAD’s permite que pessoas de maneira colaborativa canalizem esses recursos comuns para missões e trabalhos comuns.

Essas organizações são um tipo novo de organização, mas algumas já são realidade, que exemplos poderíamos dar?

O Bitcoin: é um tipo de OAD em que os mineradores são incentivados a mater a rede segura e é recompensado via inflação, além de não haver uma instituição central que governe o Bitcoin.

Descentralandia (Descentraland) : É uma plataforma virtual adquirida pelos seus usuários. Usuários adquirem terra (LAND2) neste mundo e podem tomar decisões coletivas sobre o futuro deste mundo virtual.

Uma OAD é boa na coordenação global de participantes em torno de um projeto comum. Ela é global por que permite que pessoas se juntem e trabalhem em um projeto comum tão fácil como entrar em um chat, e transparente porque permite a qualquer um com conexão a internet, checar os membros do grupo, as finanças do grupo e o registro de decisões tomadas. É considerada um tipo de organização fluída, pois escala sua força de trabalho de maneira dinâmica havendo poucas barreiras para entrar nelas, o que permite um acesso fácil a novos membros.

Diferenças entre uma OAD para outras organizações.

Esse tipo de organização tem aspectos diferentes de alguns que encontramos em uma empresa comum. Em primeiro lugar porque elas seriam mais flexíveis e fluídas em contraste com a rigidez da estrutura do mundo corporativo. Isso se deve ao processo decisório que parte sempre dos integrantes e não de uma liderança que caracteriza a forma hierárquica dos processos decisórios no âmbito corporativo.

Todos os registros e informações são abertos e disponíveis para qualquer um checar, isso coloca as OAD’s em um nível de transparência maior do que organizações do meio corporativos já que as empresas são ambientes corporantivos fechados sendo portanto mesnos transparente do que as OAD’s. Aliás o que caracteriza as empresas como fechadas é que elas possuem um formato de organização que é aberta somente aos integrantes que são convidados, ao passo em que em uma OAD é aberta para os que quiserem se engajar em um projeto comum, o que nos leva a outro ponto de distinção. Por seu caráter fluído e flexível que, facilita o engajamento de participantes ao redor do mundo, interligando comunidades virtuais em rede por todo o planeta, as OAD’s são globais enquanto que empresas e companhias (mesmo as multinacionais) não são sempre globais.

Em resumo é isso:

Concluindo então, OAD (Organização Autônoma Descentralizada) é um grupo de pessoas sem administração central coordenado pela internet em torno de uma configuração de regras compartilhadas para atingir uma missão comum.

Segundo a plataforma Aragon, uma definição mais precisa, seria:

“OAD, é uma entidade nativa da internet sem gerenciamento central que é regulamentado por uma configuração de regras automaticamente apicáveis em um blockchain público cujo objetivo é dar vida própria a esta entidade e assim incentivar seus componentes a alcançar uma missão comum compartilhada.”

Enfim, todas essas definições representam esse lugar comum desse tipo de comunidades de internet, vejamos algumas:

Descentraland; Já citada aqui tem como descrição ser um mundo virtual onde cada integrante possuí um pedaço desse mundo virtual e assim adquire condições de tomar decisões de voto que irão definir o futuro da organização.

Colony: Plataforma que segue os mesmos princípios de descentralização autônoma. Se denomina uma plataforma de utilidade pública que permite a usuários usufruir de suas ferramentas para que os usuários criem sua própria colônia com suas próprias regras de distribuição de tarefas, remuneração, dinâmica de votação e etc…

Moloch DAO: Uma DAO cujo objetivo comum é contribuir para o financiamento da infraestrutura pública da Ethereum. Nessa OAD, o peso do voto na hora da escolha de um projeto, é definido pelo número de “ações” shares que um integrante possui (1 share = 1 voto). O projeto fica aberto para votação por 7 dias e esse é o prazo limite pelo qual um integrante que não esteja de acordo com aquele projeto, retire as suas shares da proposta em votação. Quem retira suas shares recebe o valor equivalente em Ether3, mas em contra partida o seu poder de voto decresce em relação a outros integrantes, dependendo da quantidades de shares que o membro retirou.4

Somente membros da OAD podem submeter propostas, e os que desejam ser membro devem tentar convencer um membro interno da sua entrada.

Ao submeter uma proposta o membro deve:

  1. Submeter um projeto que a OAD tenha condições de financiar.
  2. Postular um tributo, isto é, uma contribuição financeira ou a promessa de trabalhar no projeto.
  3. Sendo aprovado por votação interna é claro, o postulante a membro recebe em troca de seu tributo uma certa quantidade de shares. O que de certa forma vai definir o peso de seu voto.

1Hive: Outra OAD que se denomina como um grupo de criadores e empreendedores que exploram novos caminhos para criar, organizar e fazer crescer comunidades virtuais, onde cada membro novo recebe um Tolken próprio denominado “Bee” (abelha) que lhe dá autoridade de governança na comunidade. Coletivamente, as Abelhas da 1Hive têm a responsabilidade de administrar a comunidade 1Hive, estabelecer suas regras e normas e gerenciar a emissão e distribuição inicial da moeda da comunidade 1Hive. Honey (mel)5

Democracy.earth: Uma OAD que utiliza como método de votação o chamado voto quadrático. Esse método foi citado e bem explicado pelo camarada Dennis Yao: “posso comprar uma votação com dinheiro, mas cada votação adicional que compro custa v ^ 2, onde v é o número de votos que compre”

Nesta organização no caso funciona da seguinte maneira: Assim que a votação é aberta, os integrantes recebem um determinado número de criptomoedas internas do grupo (podem ser financiáveis ou não, o grupo é que define). Com essas moedas (este tolken) cada um pode comprar um voto. Mas se ele quiser mesmo que aquele projeto ou ideia seja aprovado, ele pode tentar comprar mais votos. Porém o segundo voto que ele quiser comprar com suas criptomoedas vão valer o dobro do valor do primeiro, assim como o terceiro voto que ele quiser comprar vai valer X4 o valor do primeiro voto e assim por diante. Curiosamente esse esquema de votação parece não se restringir à mera contagem por um de uma votação simples, mas consegue ir além disso e conseguir um retrato da intensidade do voto.

E o CEII, onde fica nessa história?

De minha parte concordo com o camarada Dennis Yao, o avanço de certas inovações na tecnologia da informação tem inserido no mundo um suplemento que tem consequências imprevisíveis vide a forma apreensiva que o Bitcoin, a primeira rede de blockchains criada pelo pseudonimo Satoshi Nakamoto, segue gerando. Mas se há alguma novidade que merece ser investigada mais de perto é não só a forma decentralizada que caracteriza as transações em blockchain mas também certos tipos fluidos de organizações que tem surgido, em particular na rede de blockchains do ethereum, que não se furtam de criar novas experiências e dinâmicas de trabalho horizontais e descentralizadas com o perdão da redundância. De um modo ou de outro essas organização criam infraestrutura de trabalho ao mesmo tempo que contribuem pra manutenção da rede de blockchains e ajudam a alavancar recursos para projetos.

1 Pool funds: Approach to raising capital in which a large amount is raised at once, and is used in financing projects in the order of their priority. The aim of this approach is to maintain the firm’s leverage ratio.

Read more: http://www.businessdictionary.com/definition/pool-of-funds.html

2 LAND é um Token criado pelos usuários do Descentraland. Token’s são criptomoedas que podem ser criadas na rede de blockchains do ethereum. Algumas fontes não hesitam em afirmar que o que torna o ethereum potenciamente singular em relação ao Bitcoin é que diferente desta que possui um número limitado de Bitcoins a ser minerado, o ethereum pode abrigar um número ilimitado de criptomoedas, isto é os tokens que podem ser trocadas por Ether, o token da Ethereum. Por isso não é só de se supor que haja uma imensa quantidade de criptomoedas sendo mineradas na ethereum.

3 O Token (criptomoeda) do Ethereum

4 Detalhe, se um membro retira todas as suas shares ele automaticamente se desliga da organização automaticamente.

5 Há dois tipos de utilização de Tolkens nesses tipos de comunidade. Um, o ERC 725 serve pra lhe dar uma espécie de avatar ao mesmo tempo em que esse avatar pode ser a própria representação do seu voto. E o outro tipo de Tolken, o ERC20 é como a criptomoeda da comunidade, cada uma tem a sua ou não.