NOTA #2 (13/10/16) PR

Muito boa a reunião do curso do ceii na UENP. Observamos no mesmo dia a realização da assembleia para mobilização dos estudantes contra as diversas investidas golpistas e a questão orçamentaria da universidade. Porem tal sensibilização não esta presente em grande parte dos alunos, que acredita que suas vidas não serão afetadas pela pec 241 e a saúde orçamentaria da uenp não é a tragédia que tentam pintar. Diante disso, incide a reflexão do porque grande parcela discente tende a menosprezar as motivações da mobilização e apenas uma minoria possui o ânimo de tentar mudar a realidade. Egoísmo? falta de sentimento coletivo? desinformação? esteriótipos e rótulos? Talvez um pouco de cada, somado com cursos que não perceberam que estão em uma universidade, comportando como se fossem faculdades agregadas. Enquanto isso, os pagamentos mínimos para a manutenção de toda a estrutura universitária continuam a atrasar, estamos caindo em um abismo com nossa velocidade acelerada em progressão geométrica a cada dia de nossa inércia. De certa forma, as investidas que nos atingem diariamente, ocorrem porque as políticas públicas, que pela lógica deveriam ser em prol da população, estão submetidas ao poder econômico, negociadas por uma classe política suína, detentora do poder político, na busca pela propagação e intensificação do poder econômico. Um ciclo de tragédias.

Nota #1 (06/10/2016) PR

A primeira reunião do curso de extensão sobre o Zizek foi bem bacana.
Concordo que uma chave importante para entendermos o marxismo, o hegelianismo e a psicanálise hoje está na premissa de pensarmos esses três autores em “nós”.

NOTA #9 [19/07/2016] (RJ I)

Nota 2 CIP-DF

 

Daniel Bell, em seu livro “As contradições culturais do capitalismo” (1992) também salienta que a ética protestante e o temperamento puritano foram os códigos que exaltavam o trabalho, a sobriedade, a frugalidade, o freio sexual e uma atitude proibitiva da vida. E, que essa ética protestante e o temperamento puritano foi a visão de mundo de um modo de vida agrário, de pequena cidade, mercantil e artesanal. Ressalta que a vida e o caráter da sociedade norte-americana foram moldados pela pequena cidade e suas religiões, que foram necessárias para impor enérgicos códigos de sanções comunitárias em um meio hostil, davam sentido e justificação ao trabalho e as restrições, em uma economia de subsistências. Deste modo, destaca a influência do pensamento teocrático puritano na história da mente norte-americana, onde os principais intelectuais americanos eram clérigos até meados do século XVIII. Assim, a comunidade era governada por uma moralidade racional em que a lei moral era uma fria e virtuosa necessidade, e uma vez despojado da casca teológica, o núcleo do puritanismo era um intenso zelo moral pela regulação da conduta humana, não porque os puritanos foram rudes ou lascivos, mas porque haviam fundado uma comunidade como um pacto em que todos os indivíduos compartilhavam responsabilidades. Isso porque dados os perigos externos e as tensões psicológicas de viver em um mundo fechado, o indivíduo não deveria se preocupar somente por sua conduta, mas também pela da comunidade, pois os pecados de uma pessoa não só a punham em perigo, mas também o grupo todo, e, ademais, ao não se observar as exigências do pacto, se podia atrair a cólera de Deus sobre a comunidade. Deste modo, os puritanos americanos haviam firmado um pacto que comprometia a cada homem levar uma vida exemplar cujos termos fazia todos conscientes dos pecados da tentação e das tentações da carne. Nesse rumo, o puritanismo norte-americano se converteu numa ideologia, num meio para mobilizar a comunidade, reforçar a disciplina e um conjunto de controles sociais, que funciona como fonte de conservadorismo ao perdurar e, até se fazer mais forte muito depois de desaparecer sua congruência com o movimento social. Isso porque leva consigo a autoridade e as sanções do passado, é instilada na mente das crianças e se converte num esquema conceitual de mundo e das normas morais da conduta, mesmo sendo seu conteúdo sutilmente redefinido ao longo do tempo para justificar os códigos sociais estabelecidos e os controles sociais que sustentam o poder social da classe dominante (conceito funcional de ideologia). Para Bell, este foi o destino do puritanismo, pois muito depois de mitigar-se a dureza do ambiente que promoveu a ideologia original, subsiste a força de sua crença. Deste modo, a regra da abstinência havia formado parte da moral pública da sociedade norte-americana e foi um recurso para assimilar o imigrante, o pobre e o desviado ao status da classe média, já que não à sua situação econômica. Contudo, no final do séc. XIX essa regra já não era voluntária, mas uma arma coercitiva de um grupo social cujo próprio estilo de vida já não tinha autoridade moral. E, uma vez que os novos grupos urbanos não aceitavam de bom grado a temperança como forma de vida, então, tinha que ser imposta pela lei e convertida em assunto de deferência cerimonial para os valores da classe média tradicional. Assim, a moralidade se converteu em moralização e a proibição converteu-se em uma saída para as perturbações de toda libido freiada. Durante o movimento de proibição, a lascívia e o temor foram explorados por aqueles que se detinham no vínculo do sexo com o álcool, o temor da loucura e da degeneração racial e da autoafirmação do negro. Se não podiam converter o pecador, se poderia suprimir o pecado e o pecador também. A proibição foi mais do que uma questão de álcool, foi um problema de caráter e um momento de alteração no modo de vida.

NOTA #4 [12/08/2016] (RJ II)

Tenho entendido que “forma-de-vida” é o modo como o Agamben nomeia aquilo que excede a vida baseada na forma política atual. Quer dizer, “forma-de-vida” é aquilo não está contido no conjunto dos direitos civis, políticos, sociais, nos direitos humanos etc. Por isso a ideia de forma-de-vida serviria para ilustrar seu argumento por uma política não-estatal, já que, por óbvio, o avatar estatal de cada um de nós, isso é, o cidadão, que tem é todo direito, é o que permite que possamos existir socialmente. É como se sem a abstração estatal sobre o indivíduo, o indivíduo, enquanto tal, fosse impossível.

Eu sei que o direito à propriedade privada parece anular todos os outros direitos. Mas é curioso, e também quase inteligível para mim sem elaborações como essas que o Agamben oferece, a maneira como o Marx, em 1844, fala sobre o lugar da propriedade privada no contexto da miséria social a que estão submetidas as pessoas nessa sociedade. Ele diz que a oposição “sem propriedade” e “propriedade” é insuficiente para descrever, de baixo para cima, como esse quadro está montado sobre cada um. Eu tenho a sensação de que toda política consciente dessa miséria social tem procurado lidar com o fato de que o direito à propriedade privada, como marca da igualdade entre as pessoas, não basta para que todos possam usufruir do que é socialmente produzido, de modo que arranjos e mais arranjos políticos/jurídicos são forjados para lidar com esse fato – para fora do espectro marxista e sua imaginação política, em que “abolir a propriedade privada” é uma ideia comum, quase sem pensamento, acredito que toda política atenta aos seus efeitos sociais termina, ainda que sem o saber, tencionando com esse direito em particular.

Falo disso para poder especular sobre como poderia ser pensado a questão da propriedade privada sob esse argumento de Agamben. Eu acho que, aqui, haveria uma afinidade entre ele e o Marx, no sentido de que o dito por uma política não-estatal [que não me parece ser “contra o Estado”, mas indiferente a ele] e uma vida social em que “propriedade” não serve para determinar o campo da “desativação do poder”, me parecem associáveis.

Nota CEII SP #5 [14/07/2016]

Penso que as conversas sobre as notas de trabalho foram importantes não só para resolver os problemas dos débitos,
com também para lembrarmos novamente da importância das notas para o funcionamento ou projeto do CEII. Realmente acho
que se trata de um dos pontos diferenciais em nosso projeto, e fico curiosos para saber como seria se essa ideia fosse
aplicada em outros coletivos.

Mas às vezes fico intrigado com a dificuldade que aparentemente alguns participantes tem em fazer a nota. Muito se fala na
questão do tempo, mas acho que muitas vezes isso funciona como uma saída fácil para a questão, nos impedindo de refletir melho sobre
as dificuldades ou afetos subjetivos provocados pelo dever/direito da nota de trabalho.

Nota CEII SP #1 [09/06/2016]

Acho interessante que Badiou, ao falar da Revolução Cultural chinesa, use o termos “partido-estado”, designando assim “partido” e “estado” como se fosse uma coisa só. Podemos entender do texto que Badiou usa assim este termo para designar a tendência à “normatização” do processo revolucionário, ou, como no velho jargão da esquerda, seu processo de burocratização.

Mas eu acho que seria necessário desdobrar melhor os termos para entendermos melhor a relação entre partido e estado, que na China parece ser bastante exemplar e reflete alguns do problemas do Brasil. Como se deu essa tensão entre o partido comunista e o estado, como exatamente um tentava se diferenciar do outro nesse processo de “normatização”? Um estudo sobre este ponto poderia ser bem proveitoso

Referências 7/6/2016 (RJ I) antigo

 

Sobre a fábula de Agrippa:

“Houve um tempo, bem no passado longínquo, que as partes do corpo não concordavam umas com as outras, como fazem agora. Cada uma tinha suas próprias idéias e sua própria voz. Um dia, algumas partes começaram a achar que era bem injusto terem de se preocupar e trabalhar duro para fornecer tudo para a barriga, enquanto que esta ficava lá no meio do corpo, sem fazer nada, só usufruindo o que era trazido para ela. Então, essas partes conspiraram em conjunto e, assim, concordaram que as mãos não iriam mais levar comida para a boca, que a boca não iria mais abrir para a comida e os dentes não iriam mais agarrar e mastigar o que recebiam. A barriga roncou e fez revoluções em protesto, mas todas as partes permaneceram ferozmente firmes na manutenção da fome, para trazer a barriga à submissão. Todavia, logo essas partes começaram a se sentir fracas. A fadiga tornou-se cada vez pior, até que elas, a barriga e todo o corpo pereceram de inanição. Então, ficou claro que a barriga aparentemente ilhada tinha sua própria tarefa no feito, e dava seu retorno tanto quanto recebia; ela digeria tudo e dava o alimento aos membros por meio do sangue”.

Ou aqui.

Sobre a metáfora do corpo político em Platão:

PLATÃO, Repúblicadisponível aqui

-> 462a (ver página 218 do pdf em anexo)

Sobre a metáfora do corpo político em Aristóteles:

ARISTÓTELES, Políticadisponível aqui

-> ver páginas 21-22 do pdf em anexo

Sobre a metáfora do corpo político em São Paulo:

I Coríntios 12aqui

Éfesios 4 – aqui

Sobre o excesso sublime e a transição de Cristo, para lei, para o governo:

KANTOROWICZ, E. Os Dois Corpos do Rei – disponível aqui

-> ver capítulos 2, 3 e 4.

Sobre o destino do excesso de imanência na modernidade:

SANTNER, E. The Royal Remains: The People’s Two Bodies and the Endgames of Sovereignity (Chicago Press)

-> capítulo sobre Kantorowicz – disponível aqui em inglês

Sobre a história como a história da incarnação do transcendental:

HEGEL, G.W.F A Fenomenologia do Espírito disponível aqui e aqui

Sobre o problema da relação entre a parte e o todo na origem da política moderna:

ROUSSEAU, J.J. Do Contrato Socialdisponível aqui

(ver principalmente diferença entre vontade de todos e vontade geral)

Sobre o fundamento negativo e singular da vontade geral:

HEGEL,G.W.F Enciclopédia das ciências filosóficas, I – disponível aqui

(ver §163-166)

Sobre a interpretação do conceito de homem como existência do gênero:

FEUERBACH, L. A Essência do Cristianismodisponível aqui

(ver primeiro capítulo)

Sobre a passagem da existência do gênero para o trabalho genérico como mediação do homem com a humanidade:

MARX, K. Manuscritos Econômico-Filosóficos disponível aqui

(ver capítulo sobre trabalho estranhado)

Sobre a guinada do trabalho genérico para a forma do valor:

MARX, K. Capital, vol I – disponível aqui

(ver parte 1 e 2 do primeiro capítulo)

Sobre o tema da organização revolucionária como uma parte que funciona imanentemente como todo:

LENIN, V.I. O que fazer? disponível aqui

(Ver capítulo sobre o trabalho de organização)

 

Audio do encontro: https://soundcloud.com/ideiaeideologia/ceii-07-06-2016-rj-i

Referência do encontro em que lidamos com esse tema em 2014: http://ideiaeideologia.com/referencias-25022014-rj-i/

 

Nota CEII SP #2 [05/05/2016]

A importância do coletivo no mundo de hoje.

Falo de coletivo de um modo geral, em um mundo onde mais se paga do que ganha. Acredito que é e será muito importante para a sociedade, encontrar modos de compartilhar uns com os outros. Compartilhar ideias, serviços, informações úteis, conhecimento, enfim coletividade em prol das pessoas. E para mim o CEII mostrou uma caminho onde podemos acreditar num futuro promissor. Com certeza vamos e podemos fazer muito mais coletivamente.