NOTA #1 [06/05/2020] (RJ I)

Fiquei pensando se faz sentido dizer que a forma do CEII tem estado de algum modo orientada para evitar os dois modos de crise de que a Sabrina fala – uma organização que não abandona a política ou os ideais revolucionários descambando em pós-política ( mantém a ideia do comunismo?), e que não quer sair numa simples discussão de ‘radicalização identitária’, ou de afirmar a identidade  de esquerda acima de tudo (ultrapolítica).
E talvez as mudanças de conjuntura tenham implicado as mudanças recentes agora chamadas “a crise do CEII”. Na época do surgimento do coletivo, havia uma crítica generalizada à pós-política na esquerda, conforme o PT começava a ser percebido como um partido que traiu ideais revolucionários e se juntou à manutenção da ordem. Nesse contexto, o CEII podia jogar ironicamente com os excessos de uma esquerda que ‘forçava’ a barra para se diferenciar imageticamente do PT ao mesmo tempo que pouco propunha em termos práticos. Quase automaticamente no contexto de crítica à esquerda no poder, todo grupo dissidente de esquerda era identificado como ‘ao menos mais revolucionário que o PT’. Contudo, desde o impeachment e mais fortemente na eleição do Bolsonaro, os marcadores identitários e de valores parecem ter se tornado o terreno principal de disputa. A nova extrema-direita liderou a cena política redesenhando o cenário e criando as novas regras do jogo: se vc adere a tais e tais valores morais e se vc discorda de x (coloque aqui coisas associadas à esquerda como feminismo, orgias livres polissexuais, comunismo, perversão de crianças, ser universitário ou vestir vermelho), vc é de direita. O novo cenário lançou rapidamente grande parte do espectro político, que antes era criticado como não sendo de esquerda suficiente (do PT ao MDB) direto na esquerda. Agora, se eu falho em me diferenciar explicitamente da direita, eu sou de direita. No novo cenário, a posição distanciada e irônica do CEII que atraía dissidentes de esquerda que já pressupunham ‘qq coisa é mais revolucionária que aquela esquerda no poder’, se vê no perigo de levar a uma identificação automática com a direita, ou ao menos com o ‘abominável’ grupo dos ‘isentões’ (e todo comunista sabe que um isentão é automaticamente de direita kkk). Talvez nesse cenário, os mecanismos embutidos na forma-CEII para evitar se perder em ultrapolítica tenham acarretado uma lenta crise morna, conforme militantes veem a disputa se dando cada vez mais nesses novos termos.Mas esse cenário talvez já esteja mudando, o lento abandono de muitas das direitas ao projeto-Bozo (ainda mais com a Corona-crise) pode já estar tendo efeitos ainda imprevisíveis.
Vlws flws

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *