NOTA #2 (11/02/17) PR

“Os caçadores de Bolsonaro trabalham para Bolsonaro e os caçadores de Wyllys trabalham para Wyllys. Essa estrutura de identidade amigo-inimigo é o que a filosofia chama de estrutura de biunivocidade. É isso o que define a absoluta falência da crítica que vivemos hoje, produzida pela universalização do capital. É por causa disso que muitas vezes (nem todas) os militantes prestam um desserviço para as causas em nome das quais militam. Vejo apenas dois caminhos capazes de sair desse paradoxo. 1. Ignorar sumariamente o inimigo. 2. Engajar-se em ações estritamente positivas e propositivas. O primeiro caminho seria a reformulação do ceticismo e do estoicismo políticos. Assim como Maquiavel separou política e moral, cabe a nós separar a política e as paixões. Essa é uma visão muito próxima ao realpolitik. Uma concepção fria e calculista. A política entendida como xadrez. O segundo caminho não ignora a ação. Mas desenvolve meios de nunca implicar o inimigo em nenhuma ação. Evita transformar a negatividade em munição para os soldados da trincheira alheia. Esta segunda é para mim a mais interessante. Embora seja a mais cruel. Consiste em reduzir o inimigo à mais absoluta indiferença, ao silêncio, à desaparição pública. A política entendida como arte marcial. Ambas são difíceis. Muito difíceis. Não se restringem ao que comumente se chama de política. Exigem uma nova ataraxia. Um elevado grau de desprendimento e de controle das paixões. Talvez seja esse o ponto. A indiferença e a impassibilidade talvez sejam as novas armas de destruição em massa das democracias digitais. Não destroem o inimigo. Reduzem-no à inoperosidade, como dizia Agamben. Reduzem-no simplesmente a nada.” (Rodrigo Petrônio)

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