NOTA #1 [18/11/2014]

Após esmiuçar a máxima marxista “disto eles não sabem, mas o fazem”, Zizk dá um grande passo ao nos mostrar que a ideologia opera no fazer, no ato e não no saber, como acreditam alguns. Agora o autor se propõe a analisar outra formulação marxista também muito conhecida: “numa sociedade em que os produtos do trabalho humano adquirem a forma de mercadorias, as relações cruciais entre as pessoas assumem a forma da relação entre as coisas”.

Zizek diz que esta ideia marxista permaneceu em certo ostracismo nas décadas de 60 e 70 muito por conta do pensamento althusseriano, este desconsiderava a oposição presente no fetichismo entre sujeitos humanos e coisas, classificando-a como uma confusão epistemológica. Isto se justifica, pois a forma do conhecimento para Althusser se localizava na oposição ente “objeto real” e “objeto do conhecimento”. Zizek, mais uma vez, não poupa críticas ao francês, que neste caso, reside no fato de que, ao desconsiderar a “ordem simbólica”, Althusser não consegue perceber como, para Marx, opera a oposição entre homens e mercadorias.

Para tal, Zizek recorre a Lacan, e a “ordem simbólica” a fim de demonstrar que “ o sentido da análise de Marx é que as próprias coisas (mercadorias) acreditam em lugar dos sujeitos (…) os sujeitos já não acreditam, mas as coisas acreditam por eles”. O que está operando ai é justamente uma completa inversão da oposição entre interno e externo, ao se colocar a crença, quase sempre entendida como algo interno, como externo e o conhecimento, costumeiramente externo, enquanto interno. Está inversão, por sua vez, só é possível mediante a introdução da “ordem simbólica” na forma do pensamento.

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