Nota #1 [21/04/2015] (RJ)

Nota do dia 21-04 sobre o texto ‘Como começar do começo…de novo’ do Zizek.

O titulo do texto já descreve bem uma problemática que nós, enquanto (pretensos) militantes revolucionários e comunistas, não podemos nos furtar de fazer i.e. qual balanço fazemos das experiências históricas invocadas, legitimadas e associadas ao socialismo/comunismo? A ideia da hipótese (cientificamente falando) comunista do Badiou,  as sabias palavras do Samuel Beckett ‘Tente novamente, Fracasse de novo. Fracasse melhor’, as ideias do Lenin de pensar francamente os sucessos e fracassos da União Soviética e da necessidade de retornar ao ponto de partida apontam todos, de alguma maneira, para essa mesma direção. O ‘problema’ é que isso não encerra o debate, mas apenas o começa devido às inúmeras visões e respostas que podem ser dada a essa questão. E ai entra, em minha opinião, uma questão fundamental. A formulação de uma problema é tão ou mais importante que a sua resposta já que esse último é em grande parte o resultado direto do primeiro. O que eu quero dizer com isso? Por exemplo, o pensamento marxista, felizmente, vive e persiste em muito de nós e se manterá vivo enquanto for necessário. No entanto, devemos tomar o cuidado de usar os insights e ensinamentos de Marx como um ponto de partida e não como uma bíblia sagrada. Como um professor meu sempre fala: ´temos que usar as teorias para nos inspirar e nunca como uma camisa de força´. Eu digo isso por que eu acho que teremos que ir além das questões relacionadas à centralidade do capital, ou ao modo de produção capitalista etc. Se quisermos ser bem sucedidos, teremos, acredito eu, que integrar na nossa analise a problemática do Poder no seu modo mais geral e no seu modo mais especifico, as disputas entre unidades territoriais no sistema mundial, discutir e pensar francamente a relação entre Poder e Capital e como elas se relacionam e se relacionaram na construção do sistema atual que é interestatal e capitalista etc. Alguns autores que podem nos ajudar a pensar, nesse sentido, são o francês Fernand Braudel (considerado um dos maiores historiadores do século XX ) que numa obra fenomenal chamada ‘Civilização Material, Economia de Mercado e Capitalismo XV-XVII’ ele faz uma distinção entre Capitalismo e Economia de Mercado. E os escritos do pensador brasileiro chamado Jose Luís Fiori que desenvolveu a perspectiva do Poder Global para analisar e entender o sistema interestatal capitalista. Na sua perspectiva o Poder tem precedência logica em relação ao capital. Digo isso tudo, por que essas ideias podem ser importantes, se não, fundamentais quando tivermos, e teremos, que começar do começo de novo e novamente.

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