NOTA #1 [22/04/2020] (RJ I)

Eu gostei bastante da ideia do CEII como um espaço funcionando pela lógica do superego materno na última reunião. Que o CEII mais seja para que os membros pautem o coletivo, e não que o coletivo dê as pautas aos membros. E daí remetendo ao modo de organização política no CEII, apareceu na última reunião a ideia de que a proposta-CEII não é muito a da lógica partidária de uma instrumentalização dos membros uns pelos outros (organizar e ser organizado), mas mais um compromisso com um espaço comum, o qual fornece os meios para que cada um alcance seus diferentes fins (talvez um tipo de terceiro termo em relação ao binômio entre organização que é um fim em si mesma e à qual os membros ‘servem’, e a organização que é apenas um meio para atingir um fim maior comum, como o comunismo).Assim, a lógica do CEII talvez fosse mais de fazer o comum aparecer como o próprio espaço cultivado pelos membros para ajudar todxs a alcançar seus fins (o florescimento das individualidades sob o comunismo?).
Outra ideia interessante foi a da relação do CEII com o tempo. Pensando que o capitalismo tardio funciona por uma lógica espacial dispersa, de excesso de estímulos simultâneos que escapam à síntese, e não nos permitem visualizar uma narrativa estruturada, o CEII talvez funcione com uma contra-lógica, procurando temporalizar essa lógica espacial, organizar historicamente a lógica dos acontecimentos. Poderia ser essa uma estratégia para parar de reagir aos acontecimentos postos pela oposição (gritos de ‘não passarão!’), e começar a usar esse histórico estruturado para pensar projetos de futuro? Será que as notas servem para construir essa memória como “ferramenta revolucionária”? Será que essa ideia é só consequência do meu narcisismo tentando me convencer de que estou ‘fazendo a revolução’ ao escrever notas?

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