NOTA #12 [01/04/2020] (RJ I)

Conversando com um camarada do CEII sobre seus estudos, repliquei o argumento de que não se trata de fascismo o que vivemos. Por ser interessado no Paulo Arantes, o primeiro a me apresentar e defender o argumento, a ideia me é natural, sempre meio desconfortável, mas também meio espontânea.

Pressionado pelo camarada que não compartilhava da mesma curiosidade que eu em relação ao Arantes, diante do que ele sugeria ser uma espécie de incompreensão do perigo que atravessamos e ingenuidade política, eu disse que o argumento do Arantes procura assinalar um cenário político ainda pior do que este alegadamente fascista. Apoiado na circunstância de incrível fragilidade da esquerda, “chutei” que o argumento de não vivermos um fascismo pretende destacar como somos impotente à situação.

Em termos lógicos, trata-se de reconhecer que o fracasso dos comunistas diante da vitória fascista não impede uma reunião ou uma capacidade de sobrevivência propriamente comunista.  Em outras palavras, se vivêssemos um fascismo, além de admitir que a era lulopetista foi um momento revolucionário da vida brasileira, os comunistas estariam organizados para resistir à violência atual da contrarevolução fascista de agora, ainda que apenas defensivamente.

Como a resistência de esquerda à escalada bolsonarista parece envolver uma aposta nas Forças Armadas, no STF e nas corporações de mídia, especialmente as organizações Globo e a Folha de SP, isto “prova” que o que vivemos é menos que o fascismo. Menos, mas não menor, vale dizer. É por aí?

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