NOTA #2 [13/05/2020] (RJ I)

157: http://dados.iesp.uerj.br/pandemia-reduz-submissoes-de-mulheres/


157: Talvez sobre a participação de mulheres no CEII durante a pandemia.


157: O que não explica a diminuição.


157: A diminuição com o passar do tempo, quero dizer.


031: eu vi esse – e esse outro aqui:

https://www.nature.com/articles/d41586-020-01135-9?fbclid=IwAR2sQ2xNaJIyDx93VVXxqWKNH5RVCV_VhTd89SckaVSaSAfPCcGrmrgSIFE

157: É! Lembro daquele episódio em que todos rimos, o cara dando entrevista de casa e as crianças entrando na transmissão ao vivo com a mulher dele tentando pegar os dois sem aparecer na câmera.


157: Não imagino o que é ter filhos e estar com eles em casa todo o tempo, e trabalhar ainda assim. Os pais dos alunos da escola em que trabalhava estão todos completamente exaustos.


157: A carga de trabalho para a reprodução da vida aumentou muito, e finalmente ele pesa de maneira um tanto quanto universal de forma que todos podem sentir e ver.


157: Federici que estava certa, é preciso reivindicar pagamento para esse trabalho (invisível para o mercado, ou só visível na forma de serviço).

311: Acho que um ponto importante sobre isso Vaneza, é que assuntos referentes ao feminismo tenham diminuído a relevância na cena… Juntando a questão da menor participação feminina: o que eu tenho visto tem um tempo, é que as minas parecem preferir espaços de minas, os negros de negros etc… onde me formei, acabou que depois de um tempo, o espaço comum de debates chamado DCE se esvaziou ainda mais e os espaços particulares (mulheres, gays, etc) encheram, e, de certo modo, o que restou do DCE foram alguns dinossauros da militância q, depois que se formaram, o DCE acabou sendo ocupado, mas por osmose, por esses movimentos particularistas… Daí o q q eu acho, um fatores pra diminuição de artigos de mulheres talvez seja o fato da diminuição da importancia do feminismo na atual conjuntura (ele diminuiu simplesmente porque temos um vírus aí, e o lance da economia, bem com da saúde, são mais relevantes) e, uma variável para o fato de o CEII ter baixa participação feminina talvez seja a pouca importancia q espaços clássicos (o CEII é isso, discussão de universal sem identidade) têm tido no nicho da esquerda…


311: eu escrevi uns dois textos, acho, sobre esse lance da economia, q eu suspeito, que vai voltar a ser prioritário depois que o sonho lulista desabou… isso antes da pandemia…


311: porque? porque o que traciona pensar lutas culturais é o fato de se ter o que comer e onde trabalhar, daí, nesse estado de bem estar social de baixa intensidade que foi o Brasil do Lula, fazia todo sentido pensar as desigualdades ocasionadas por questões culturais, já que quanto à economia, “tudo ia bem”… só q essa bagaça desabou…


311: daí, duas coisas…


311: a esquerda virou um lugar de acolhimento, “ter quem abraçar” na falta de chão pós-lulismo (temer e bolsonaro), ou, de repensar a economia, daí: esses best sellers de economia que tamos vendo surgir ultimamente…


311: minhas impressões são de que no mundo igualitário da pobreza pelo qual vamos e estamos passando, o velho tema do barbudão vai voltar a ter alguma relevância…

157: Ah, cara, mulher não escreve só sobre feminismo, né? Os dossiês vem com um tema, se é sobre “árvore” e antes tinham 10 mulheres falando sobre isso e agora tem 4, alguma coisa aconteceu.


157: O mundo da pobreza não é igualitário. Se liga, tu já viu o tanto de trabalho das mulheres pretas, né? Elas trabalham na casa das patroas e nas próprias casas. Quantos caras fazem em casa o que fazem em seus trabalhos, lembra, em casa de ferreiro o espeto é de pau. Pode ser por causa da falta de condições para fazer, mas não tem nenhum tipo de obrigação para a reprodução da vida que o ferreiro ponha espetos de ferro em casa, mas pra faxineira tem.

157: E se as questões culturais se tornaram identitárias e se ficaram imersas “poço” do lugar de fala, isso é um problema de todos.


311: mas eu não disse isso hora nenhuma… disse q me parece q um dos fatores q podem ser responsáveis pra redução de publicações por mulheres se deve ao fato de, por ora, o feminismo ter saído de sena… o q não exclui outras publicações e o trabalho doméstico…


311: e sobre isso, eu acho q o brasil teve suas condições de possibilidade pro surgimento de pautas mais culturais, acho q as condiçoes de possibilidade foram dadas pelo lulismo, tanto q foi ali q elas ganharam força…


157: 311, tô ficando puta. E sei que é pelo circuito de afetos que o assunto mobiliza em mim, porque sou mulher (e não farei digressão sobre isso). Agora, colocar a questão identitária como cultural e não econômica também, é foda. Fale de economia política, libidinal o que for. É econômico também, se se abriu espaço para pensar identidade e corpo só pela via das teorias culturais é algo muito sério que diz respeito ao CEII.

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