NOTA #2 [17/06/2020] (RJ I)

“O que é uma reunião? Uma reunião é, sempre, a cura de uma divisão; da divisão a respeito do discernimento. Uma reunião implica construir uma unidade que não existe. Não consiste em assegurar a anuência das pessoas, independentemente de qualquer discussão. Não faz nenhum sentido se reunir, se todo mundo já está de acordo. Neste caso, o Secretariado Geral é suficiente. A reunião é a alma da política organizada e é o lugar concreto de existência do marxismo. É do sentido da classe, tratado em diferentes níveis – filosofia, ciência, economia, política – que vamos tentar estabelecer um princípio comum, superando, assim, a divisão empírica do discernimento e alcançando proposições precisas, concernentes à ação imediata. O lugar onde tudo isso deve ocorrer é sempre numa reunião. Qualquer reunião é, então, a prova de uma figura de aliança entre subjetividades dissímiles, dado que consiste, precisamente, na orientação compartilhada entre essas subjetividades; orientação esta que irá constituir uma nova força política na situação. A reunião é, portanto, o sentido vivo do próprio marxismo: ele existe ali. Não existe no que está escrito, nos livros, no passado histórico. O marxismo existe, verdadeiramente, no processo de uma reunião que pode ser pequena ou gigantesca, isso depende das circunstâncias.” (BADIOU)

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