Nota #3 [28/05/2013]

Na última reunião tratamos das distinções básicas entre o modelo zizekiano da ideologia e o althusseriano. Althusser já realiza um avanço significativo na compreensão da ideologia com seu texto sobre os Aparelhos Ideológicos de Estado ao dar ênfase na materialidade da ideologia. Contudo, Althusser ainda concebe a ideologia como uma espécie de falsa consciência – embora essa falsa consciência seja causada pelas condições materiais que fazem com que o sujeito ocupe certa posição nas relações sociais e tenha sua consciência de acordo com seu posicionamento. Para ele, o indivíduo percebe a realidade distorcida; o indivíduo vê a realidade com uma ilusão, ele não consegue apreender o que é “real”.
Entretanto, essa interpretação não parece suficiente para dar conta do modo como a ideologia opera hoje em dia (ou sempre operou). Para Zizek, é claro que nem sempre temos uma falsa consciência da realidade e nada se altera quando compreendemos o que “realmente” acontece. Independente de o indivíduo saber ou não se ele está agindo conforme a ideologia, ele sempre age como se estivesse pensando de acordo com a ideologia. O exemplo que utilizamos várias vezes que parece tornar mais clara essa ideia é o uso do dinheiro: todos nós sabemos muito bem que o dinheiro é apenas um pedaço de papel que utilizamos para comprar coisas, mas ainda assim agimos como se o dinheiro fosse uma entidade mágica e poderosa. O que Zizek denomina de fantasia ideológica (e que me parece ser a mesma coisa que a abstração real de Sohn-Rethel) é a fantasia que sustenta a nossa ação e a realidade social; ou seja, grosso modo, a fantasia ideológica (ou abstração real) é um pensamento que está estruturando a nossa própria ação, embora não estejamos realmente o pensando – pois sabemos muito bem o que estamos fazendo.

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