NOTA #3 [29/04/2020] (RJ I)

Motivado pela última reunião, fui buscar algo mais sobre o revolucionário profissional e me deparei com um trecho que me parece bastante ilustrativo do tipo de perspectiva da qual o CEII tenta se distanciar. Esse profissional como alguém de ‘compreensão absoluta’, um gênio e/ou um santo, alguém que vive e respira o marxismo e o regurgita na cara de todos, mesmo os desavisados transeuntes que nada tinham a ver com isso. Também esse revolucionário teria uma régua absoluta para medir o mundo segundo a correta interpretação marxista. Todos o veem como fanático, mas ele não é, apesar de seu desejo de se martirizar todos os dias pela causa revolucionária como se tamanho sacrifício fosse algo trivial.É um modo de fazer política que, me parece, no mínimo, envelheceu mal… (apesar de ainsa ser compartilhado hoje…).
Segue o trecho.
Julio Antonio Mella, líder anti-imperialista, internacionalista e marxista-leninista cubano n a primeira metade do século XX. Fundador do primeiro Partido Comunista de Cuba.”A principal característica do revolucionário é sua compreensão absoluta e sua identificação total com a causa que defende. As ideias que abraça se convertem nos dínamos geradores de uma energia social. Os ignorantes acostumam os qualificar como “fanáticos” por essa razão. Os reacionários, levados pelo ódio e pelo temor, enchem de insultos os revolucionários. Não há um homem em todo século tão insultado quanto Lênin. Também não há outro homem que tenha se aproximado da genialidade, da santidade e do heroísmo eticamente considerados, que o grande condutor da III Internacional.
O revolucionário profissional, se é marxista, por exemplo, sabe aplicar o marxismo a todos os problemas. Os inimigos se assombram ante a força de sua verdade, mas não se atrevem a aceitá-la, apesar de considerá-la certa e não combatê-la abertamente. Dão a sensação monstruosa de locomotoras atravessando selvas virgens e cidades populosas. O revolucionário profissional pode chegar ao martírio ou a o que é considerado como tal por estranhos. Ainda mais: cada minuto de sua estranha vida seria um minuto no inferno para muitos outros. Pode morrer na forca, no suplício, reviver os sanguinarismos do Circo. Aceita tudo com a mesma naturalidade que o jogador de bolas aceitas seu salário: é sua profissão e nada mais. Por essa razão, quando o público ou a “opinião pública” aplaudem qualquer de seus gestos diários de heroísmo, se considera tão estranho como se o público aplaudisse o cantor de ouvir a voz em um toca discos.”https://www.novacultura.info/single-post/2018/01/20/Mella-Pela-criacao-de-revolucionarios-profissionais

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