NOTA #4 [07/04/2015] (RJ)

O Tempo do Tempo

Ao adentrarmos no “Começar do começo, de novo”, percebemos como a questão temporal está intimamente ligada ao modo operativo-organizacional do nosso tempo. O artigo do filósofo Paulo Arantes contribui para a discussão (e a sua tese de doutorado Hegel: a ordem do tempo poderia ser inserida aí), a maneira de lidar com um movimento de mudança que seria transtemporal (funcionada em vários planos temporais – passado, presente e futuro) é, grosso modo, no mínimo interessante. Afinal, além de essas questões de não se preocupar (levar em consideração a temporalidade às últimas consequências para que o tema do tempo seja vazio, des-preocupado) com o presente, qual seria então o tempo do Tempo? Ou, para ficar melhor, como absorver essa carga de complexidade multifacetada e aplicá-la organicamente? Essas perguntas são feitas porque: a) se preocuparmo-nos com o tempo, perdemos a essencialidade contingencial da dimensão da vida (“fazer teoria e esquecer da prática”) e, apesar de estarmos atentos com os momentos, perderemos grande parte de um movimento que está acontecendo e que não levam como consideração principal o projeto para o futuro; ou b) ficar preso ao momento sem considerar a teoria temporal é falhar num tipo de organização que prepara o futuro para algo “novo”, isto é, procedimentalmente falando, não “arrumar a cama” para que o Não-ser transforme-se em algo atual. É evidente que não podemos de forma alguma preparar tudo e encaminhar as coisas para que elas realmente aconteçam num futuro, e por isso precisaríamos adicionar esse risco transversal nesses círculos ( a) e b)), lidar com algo sem cair no determinismo, na apostação progressiva, no não-fazer agora e no deixar-fazer (laissez faire) é o dilema, talvez, proposto para o Círculo (não só para o Círculo, mas é uma forma de dizer que poderíamos voltar cada vez mais nesses temas nas próximas reuniões).

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