NOTA #5 [02/04/2015] (SP)

Em sua fala, Susan Buck-Morss, pleiteia que as críticas produzidas e endereçadas à história são ações não sem consequências a essa, isto é, tal crítica carrega em si a força de, ao passo que analisa, transformar o processo histórico. Sem reservas, aponta como a pesquisa de Marx estava completamente envolta nesse processo e que essa foi capaz de “elevar-se acima do tempo”.

Iniciei esta Nota pretendendo ser mais ousado que a autora e reivindicar a pesquisa de Marx, não apenas como sendo capaz de incidir no processo histórico, mas como sendo um Ato Ético (no sentido lacaniano) que muda os rumos da própria história.

Mas, desisti, não sei ao certo se seria capaz de sustentar tal hipótese – ainda assim resolvi mantê-la aqui. Abri mão, pois outra coisa me ocorreu no toca a relação entre teoria e prática, e que acredito poder ser lido nestes poucos parágrafos que foram trabalhados do texto, mas que não deixa inteiramente de lado a noção de Ato.

A lacuna que parece existir entre teoria e prática – e que pretende ser superada pelo conceito de práxis – parece ser de ordem semelhante a que observamos entre ética e política: nunca se terá uma ação (prática/política) que esteja à altura de suprir suas expectativas éticas (teóricas). Para Lacan, e também para Zizek, o Ato é o que possibilita, não a transposição dessa lacuna, mas sua momentânea inexistência, por um momento, o instante que dura o Ato, há uma injunção entre ética e política em que essa lacuna é suprimida.

As tentavas de realizar tal injunção por meio de uma nova teoria que se “adeque” ou descreva melhor a realidade ou por novas práticas que pretendam atingir o que de fato o que foi proposto pela teoria, são em vão. A única garantia é a de seu fracasso.

Esse desencontro intransponível por esses meios, em partes, se deve por se negligenciar algo que a autora aponta: o efeito que a própria crítica produz na realidade; ou seu inverso. O erro de tais tentativas está em desconsiderar o efeito que a própria ação – teórica ou prática – produz na realidade. Para recorrer a Zizek novamente, a ilusão reside em tomar a relação entre teoria e prática como uma totalidade completamente previsível, em que todas as possibilidades já estão datas e são resultados certos de medidas ou conjuntaras específicas.

Felizmente a Coisa é mais complexa que isso e há possibilidade de novo, essa vem justamente do que os obcecados pela distinção de teoria e prática faltam em considerar.

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