NOTA #5 [19/08/2020] (RJ)

[justify] Na última reunião, discutiu-se um texto, assinado pelo CEII e escrito em 2013, que propunha uma espécie de balanço das Manifestações de Junho. Pelo que entendi, o mote fundamental, para falar de maneira simples e um tanto reducionista, era o de que 2013 foi mais do que a mera expressão de um possível ou suposto colapso da forma-partido – que se expressaria no apego de muitos manifestantes a ideia de um movimento suprapartidário – mas o índice de uma “crise de representação” e, por consequência, tendo em vista nosso ambiente democrático de baixa intensidade, uma crise da própria estrutura política brasileira.
Bom, a questão que eu gostaria de levantar é: é possível a gente tirar algo desse “balanço de 2013” para o próprio “balanço do CEII” em que estamos engajados e que, obviamente, não se faz num vácuo, mas é em alguma medida determinando pela nossa conjuntura? Em outros termos: é possível pensar, hoje, num “balanço do balanço”?
Fiquei pensando em alguns pontos que poderiam ser possivelmente explorados. Por exemplo, em meio a crise de representação que explodiu em 2013, surge a figura insuspeita de Jair Bolsonaro. Seria isso uma contradição? Em meio a uma crise da política representativa, surge uma figura representação tão forte que se tornou qualificativo: hoje se fala em bolsonaristas e anti-bolsonaristas. O que explica Bolsonaro? Ironia curiosa: seu nome sempre aparece nas reportagens da grande mídia seguido de “(sem partido)”. Seria isso indício de que a crise de 2013 foi realmente a da forma-partido e não a dos mecanismos de mobilização política (a representação entre eles) que contrariam a dispersão proto-anárquica que caracterizou o movimento?
Eu acho que não! Eu também aposto, assim como os ceiianos de 2013, na crise de representação. Mas parece que tem caroço nesse angu que a gente precisa entender melhor.

Obs.: na época de criação do SPC eu não consegui participar por falta de tempo, mas tinha pensado em tentar escrever algo relacionando CEII e conjuntura… Talvez eu retome essa ideia.
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