NOTA #5 [22/07/2020] (RJ)

Me foi apontada a necessidade de uma intervenção Oniropolítica. Não foi num sonho profético que essa mensagem me apareceu, mas numa operação de diálogo com um outro membro. A matéria de que são feitos os sonhos é mais plástica, bem mais maleável, contudo nem por isso deixam eles de atingir a concretude. Nos afetam e deixam marcas. Sonhar, mesmo acordado, é uma contínua operação anamórfica. Tudo que tem forma é de-formável. E sonhando com as formas, elas se deformam. Produzindo uma poética da abstração que adultere as formas dadas, que distorça as perspectivas naturalizadas como ‘a realidade’. Ter a deturpação como modo de produzir novas perspectivas, sonhando com outro real e realizando sonhos surreais. Eu sonhei que estava dentro de um círculo. Na areia, marcas de passos em um grande espaço delimitado. Vaguei adicionando passos e perguntei sobre o limite daquele espaço geométrico. Me disseram que era permeável. E que eu podia aumentá-lo se quisesse. Só bastava vontade. E o engajamento de outros no interior do espaço. Eu acordei e não anotei o sonho. Então o esqueci e precisei reinventá-lo. Deturpei o sonho pra fazer política. Oniropolítica das Anamorfoses.

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