NOTA #8 [03/06/2020] (RJ I)

Há as éticas deontológicas, cujo sentido está na intenção de seguir a regra, mesmo que as consequências não sejam as melhores; o correto não é objeto de cálculo de bem estar, mas questão de princípio para além de todo prazer. Há as éticas consequencialistas, em que a lógica parece ser justo o oposto: o melhor é a consequência, pouco importa a intenção; o cálculo de bem estar, individual ou coletivo, é tudo. Sempre tive achei difícil pensar a ética da virtude sem introduzir aí ou bem a noção de princípio, intenção ou ideal (e aí recair na deontologia) ou bem a noção cálculo, ainda que sofisticado, de bem estar (e aí cair no consequencialismo). Diga-se de passagem que cada uma dessas duas grandes correntes da ética de certa maneira reivindica para si própria a ética das virtudes. O segredo talvez esteja na noção de hábito, no sentido de um regra que cria uma vida. Pois se, em deontologia e consequencialismo, o princípio da regra é externo à vida, ou ao menos pode ser colocado facilmente nessa relação, o hábito é o ponto em que vida e regra parecem se indistinguir.

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