NOTA #8 [12/08/2020] (RJ)

[justify]É sabido que quando o assunto é ideologia encontramo-nos numa situação estranha em que é quase impossível distinguir o dentro do fora, o ideológico do não-ideológico. Por isso é extremamente difícil saber em que ponto enunciamos uma opinião ou “somos enunciados” por ela, em que ponto somos sujeitos ou sujeitados.
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O mesmo ocorre com a fantasia. Tem uma música maravilhosa do Lô Borges (Milton Nascimento é realmente uma espécie de Deus, mas é uma pena que com isso o resto da galera do Clube da Esquina fique na sombra…) que é bem ilustrativa, na qual, em um verso renitente, ele diz: “sonhei que eu nunca existi/ e vi que eu nunca sonhei”. Como a “realidade” é estruturada pela “fantasia” (ou pelo sonho), é difícil destinguir um do outro, dentro e fora.
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Dito isso: é possível dizer que a tal da superidentificação do querido Zizek seja uma estratégia que eleva essa característica ideológica (da indistinção dentro e fora) até as suas últimas consequências? Como se a única forma de realmente promover uma crítica da ideologia seja se identificar com o ideológico a ponto de não se saber mais ao certo o que é uma postura genuinamente ideologizada e o que é puro deboche? Se sim, existe aqui uma forma de ser irônico sem ser cínico? Ou se cínico, no bom sentido da coisa, o velho “cinismo como crítica”, na boa tradição de Diógenes, Gregório de Matos, Brecht…?
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