NOTA #8 [16/09/2020] (RJ)

Aquele tal de Unheimlich, o inquietante estranho-familiar, pode aparecer de diversas formas. Sem saber como reagir diante dele, eu prefiro recalcá-lo. Assim escolho jogar a complexidade social para debaixo do tapete. Todo excesso é amputado para que uma imagem simples apareça para mim e me ajude a manter minha sanidade. Mas o simplificado-recalcado retorna para me assombrar. Curiosamente, eu fiz essa ligação lendo o Bauman (aquele reformista traidor da causa; ops, simplifiquei de novo), quando ele diz (ou dizia, pobre defunto tão querido) que nesse regime capitalista contemporâneo criam-se soluções imaginárias que são incapazes de aliviar o sofrimento dos indivíduos na medida em que não passam de ‘soluções biográficas para contradições sistêmicas’. na Modernidade Líquida:
“os homens e mulheres são naturalmente tentados a reduzir a complexidade de sua situação a fim de tornarem as causas do sofrimento inteligíveis e, assim, tratáveis. Não que considerem as“soluções biográficas” onerosas e embaraçosas; simplesmente não há “soluções biográficas para contradições sistêmicas” eficazes, e assim a escassez de soluções possíveis à disposição precisa ser compensada por soluções imaginárias.”
Esse recalque simplificante da possibilidade de uma sociedade outra. Mas é uma questão de complexidade e organização. Será que se ‘organizar direitinho’, todo mundo resolve a questão do sofrimento psíquico coletivamente? Vale a pena tentar, e acho que o CEII é um espaço possível para esses experimentos organizacionais.

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