NOTA #1 [11/11/2020] (RJ)

Balanço inicial da esquerda no SUL/SE em 2020

Me concentro no SUL/SE porque é onde a esquerda perde desde 2006, ainda que com diferentes ritmos a depender do Estado

O que vimos foi um crescimento expressivo no legislativo e um retrocesso no executivo

O que isso significa?
Temos um retorno do padrão das esquerdas dos anos 80/90

A esquerda se saía bem no legislativo pelo papel “fiscalizador” e ia mal no executivo porque suas propostas não eram “sérias”

Era algo do tipo vocês são muito bons em apontar os problemas, mas não servem para resolve-los
O crescimento da esquerda no final do século XX se deu justamente quando convenceu as pessoas de que podia governar

E não foi nada fácil. Pesou muito a não existência de 2º turno em 88, o que viabilizou vitórias em SP, POA e BH

O sucesso dessas prefeituras virou o jogo
Hoje tem 2º turno. E tem novamente a imagem de que a esquerda não serve para governar

Por isso é fundamental combater a fragmentação. A divisão ou inviabiliza a esquerda no 1º turno ou prejudica o desempenho no 2º turno

E isso porque a transferência de votos não é automática

Vários fatores pesam contra a transferência: corpo mole dos derrotados, mágoas da disputa no 1o turno, rejeições consolidadas e que o curto tempo do 2o turno não permite reverter

Manu e Boulos teriam mais chances de vitória se fossem já no 1o turno candidatos de unidade
No legislativo, mudou o perfil parlamentar: saem operários, bancários, professores (sindicalismo) que eram representativos na época e entram feministas, movimento negro, LGBT, que são representativos hoje

Essa nova representatividade é fundamental para revigorar a esquerda
Outra questão chave é a coordenação: nos anos 80/90, havia um sentido de bancada muito mais forte

No último período, imperou o cada um por si que dificulta muito a construção de projetos majoritários e unidade

Que as novas lideranças nos tragam de volta os sentidos coletivos

NOTA #6 [14/10/2020] (RJ)

Na última reunião de outubro, algo foi dito sobre um nível da experiência militante que extrapola a corrente ideológica.
Para além da discussão sobre remuneração, acho que isso suscita uma discussão necessária sobre como o sofrimento causado pelo fracasso ou enfraquecimento de uma organização recai sobre o militante, como se ignorando as limitações pessoais e profissionais e acaba culpando (mesmo que indiretamente) determinado militante por não fazer as atividades e corres em geral suficientemente bem.
[justify]Acho que é muito fácil culpar simplesmente as atividades externas que realizamos, quando, na verdade, é a organização enquanto movimento que deve produzir certo efeito de deslocamento(?), no sentido de trazer a vida social (família, trabalho, estudos etc.) do militante para sua direção, em vez de afastá-la. E não como se houvesse uma linha que dividisse o que é responsabilidade do coletivo e o que é responsabilidade individual. Se estamos desanimados e desmotivados não é só pela pandemia ou porque estamos atolados de estudo ou de trabalho ou sofrendo desempregados, mas é principalmente porque a organização não conseguiu nos deslocar aí, não atingiu esses espaços centrais e orgânicos de nossa vida social.
[/justify]

NOTA #1 [21/10/2020] (RJ)

Camaradas, li o texto do Gabriel sobre o “Organizando a vida” (https://lavrapalavra.com/2017/04/19/sobre-um-projeto-de-psicanalise-popular-ou-convem-ser-comunista-para-escutar-o-sofrimento-social/) e tenho que dizer que fiquei bastante mexido, no bom sentido da coisa… Aos ceiianos que acompanharam de perto o projeto, queria direcionar a interrogação com que o texto é (in)concluído: a hipótese de que convém ser comunista para escutar o sofrimento social foi consequente neste projeto em específico?

NOTA #5 [14/10/2020] (RJ)

Eu vi a live do colega Gabriel sobre o livro novo e fiquei pensando: será que não apareceu um conflito entre as três lógicas que eles apresentam (que talvez possam ser chamadas de institucional, comunitária e revolucionária no sentido estrito) aqui nas notas do CEII?
Eu penso na polêmica entre notas que pediam um retorno a noções mais revolucionárias e que levantavam a questão do candidato a vereador Wesley Teixeira pelo PSOL. Ele pode ou não receber financiamento de (assim-denominados) ‘grandes capitalistas’? E uma outra nota, ainda colocou o Wesley junto com Piketty com algumas citações. Daí minha questão, seria esse um conflito entre a lógica revolucionária tradicional (negação da lógica do Capital) e as lógicas institucional (quem sabe reformista) do Piketty e comunitária do candidato Wesley (que aproxima na citação da nota o quilombismo, o anarco-comunismo e a luta por fazer o Reino dos Céus na Terra)?
Como faz comunismo poli-lógico? É possível, desejável? Precisamos de um jargão comum ou de lutas comuns?
Mais uma chance de aplicar o experimentalismo ceiiano, quem sabe…

NOTA #4 [14/10/2020] (RJ)

Amigos vou ser breve nessa porque a escrevo enquanto meu filho dorme. Sei que é estranho mas é o unico tempinho que me sobrou hoje.

Pois bem, tenho lido bibliografias relacionadas a blockchain além de ter me recordado do post do camarad Dennis sobre comunidades que se organizam em redes de Blockchain. Na época o Dennis tinha mencionado que havia coisas interessantes neste campo que poderiam interessar o CEII. Depois de ter lido um pouco mais sobre o assunto eu tendo a concordar com o camarada, mecanismos como voto quadrático, governança algorítimica me parecem ter algum conteúdo experimental que me parece que vale a pena ser investigado.

att

011

NOTA #17 [10/06/2020] (RJ)

Seria o empreendedor precarizado (alô alô camelô, ambulante, tio da paçoca do buzão) o novo sujeito universal da revolução? Uma nota anterior comentou sobre esse novo setor do empreendedorismo de bicos de jovens universitários (que traduzem, revisam, dão cursinhos online, monetizam produção de conteúdo virtual); eu relembro esses outros setores informais ‘mais tradicionais’. Mas concordo e reitero a questão da nota anterior: como a esquerda deve pensar isso? o que fazer? como disputar corações e mentes da classe ‘empreendedora de si’ (pois nada mais possuem a empreender…)?