NOTA #1 [27/05/2020] (RJ I)

Na minha priemira passagem pelo ceii eu entendia o ceii como um grupo de estudos que postulava a formação de um partido. Mas ao passar do tempo em contato com o ceii entendi que o ceii não era isso, na verdade eu ainda acho o ceii um grupo de estudos mas com alguma coisa mais forte relacionada a pensar nos problema seus e nos de outras organizações todo em profundo contato com a politica, filosofia e psicanálise. Talvez, inclusive, o desafio do ceii seja se nomear porque como ja foi colocado nas reuniões, ja foi muita coisa. Mas acho que uma coisa lateral mas importante também é o ceii, além de tudo que ja foi, ser uma especie de acordador da realidade. Não necessáriamente se apreenda a verdade mas te força de uma maneira as vezes direta as vezes não, a pensar se aquilo que vc pensa realmente, vc deve continuar pensando da mesma forma e, se sim, pensar naquilo com mais qualidade entendendo seus problemas e seus limites. Entendo que pensar a si mesmo, inclusive se propondo a deixar de existir ja que se passa atualmente um balanço no ceii sem perder de vista sua extinção, é um grande avanço e talvez um dos principais motivos do ceii para continuar a existir inclusive. 
Atenciosamente,
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NOTA #2 [06/05/2020] (RJ I)

Fico pensando o quanto não deixamos de aprender com as experiências organizativas de outros grupos e partidos. Acho que o CEII Convida sempre foi uma alternativa para isso. Mas quem sabe poderíamos pensar numa reestruturação organizativa do CEII tentando levra em conta o acúmulo de experiências de diversas organizações militantes.
Também não posso deixar de pensar que o CEII é uma equipe de filmagem que precisa realizar sua produção para se lançar a um novo desejo.

NOTA #2 [20/05/2020] (RJ I)

O princípio indiferença parece ser o único procedimento possível de propiciar um universal que inclua as singularidades do devir, em toda sua diferença e potência, as quais irrompem com novas abordagens para problemas antigos e com a formulação de novos problemas: eis o plano de imanência da igualdade.
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NOTA #4 [29/04/2020] (RJ I)

O Marx e o Engels tinham uma baita implicância com os chamados “verdadeiros socialistas”, corrente de esquerda da Alemanha do século XIX bastante influenciada pelos “jovens hegelianos” e, em certo momento do Manifesto, eles comentam: “[…] não verdadeiras necessidades, mas a necessidade da verdade, não os interesses do proletariado, mas os interesses do ser humano, do homem em geral, do homem que não pertence a classe nenhuma, que não pertence a nenhuma realidade, e que apenas existe no céu nebuloso da fantasia filosófica”. Bom, eu trouxe esse trechinho um tanto fora de contexto porque uma coisa me veio à mente com a última discussão sobre identidade, centralidade econômica, classe etc.: o justificado afastamento do PSOL e a tentativa de pensar uma organização “indiferente com a diferença” não poderia levar o CEII ao risco de recair em uma política puramente formal (ou filosófica) semelhante a dos jovens hegelianos? Não se trata de uma crítica a tais afastamento e tentativa, mas de tentar pensar os possíveis impasses que isso pode colocar.

Livre de vírus. www.avast.com.

NOTA #1 [20/05/2020] (RJ I)

Eu andei lendo essa semana umas coisas que me remeteram à questão da identidade. No livro do Douglas (Lugar de Negro, lugar de branco?), aparece forte essa questão das armadilhas possíveis de um processo de identificação e das falácias por trás de um mito de integridade da identidade. Ele chega a sugerir que “utopia é acreditar que um dia sua [do capitalismo]

forma de reprodução social deixará de criar identificações…”. Em outros termos (que tbm não são meus), poderíamos falar nos perigos de um regime imunológico, uma lógica de imunização e de constituição da identidade, do self, pela exclusão de toda exterioridade e de tudo que é considerado outro. A identificação é, portanto, um processo ambíguo em suas possibilidades. Mas nem por isso me parece que deva ser rejeitada. Mesmo a identidade coletiva cumpre um papel importante quando uma organização qualquer se constitui em oposição ao seu fora, ao que não é ela. É até um pouco a questão do ódio constitutivo (que me identifica porque me diferencia do outro ou daquilo que odeio) e mesmo transformativo (pois carrega a potência de transforma um estado de coisas insatisfatório, um estado que gera ódio). Não parece possível fazer política sem um certo ódio, um pouco de identificação ou de imunologia. Se me deixo infectar por tudo, me desfaço e morro, a coesão se perde. Se tudo é aceitável, não há projeto nenhum, só uma harmonização ‘democrática’ morna com tendências à inércia. Deve haver uma identidade comunista que se diferencie da capitalista (e que odeie até a fascista)? Ou é possível alcançar o comum sem identidade (só com amor indiferenciado e indiscriminado)?
Sobre ódios políticos – https://bazardotempo.com.br/livro/odios-politicos-e-politicas-do-odio/Sobre imunologia e antropofagia – https://www.youtube.com/watch?v=OrfEjgbnUZ4&list=UU_aozEN4P4QfAtw2OrOWZeg&index=3

NOTA #3 [13/05/2020] (RJ I)

"A palavra 'encontro' é essencial. Um amor, uma revolta, um poema: isso não se
deduz, isso não se distribui na serenidade consentida dos compartilhamentos, isso se
encontra, e dessa reviravolta violenta da vida imediata resulta um acesso ao mesmo
tempo singular e universal ao Absoluto. Toda felicidade real está em jogo em um
encontro contingente, não existe nenhuma necessidade de ser feliz."

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NOTA #2 [13/05/2020] (RJ I)

157: http://dados.iesp.uerj.br/pandemia-reduz-submissoes-de-mulheres/


157: Talvez sobre a participação de mulheres no CEII durante a pandemia.


157: O que não explica a diminuição.


157: A diminuição com o passar do tempo, quero dizer.


031: eu vi esse – e esse outro aqui:

https://www.nature.com/articles/d41586-020-01135-9?fbclid=IwAR2sQ2xNaJIyDx93VVXxqWKNH5RVCV_VhTd89SckaVSaSAfPCcGrmrgSIFE

157: É! Lembro daquele episódio em que todos rimos, o cara dando entrevista de casa e as crianças entrando na transmissão ao vivo com a mulher dele tentando pegar os dois sem aparecer na câmera.


157: Não imagino o que é ter filhos e estar com eles em casa todo o tempo, e trabalhar ainda assim. Os pais dos alunos da escola em que trabalhava estão todos completamente exaustos.


157: A carga de trabalho para a reprodução da vida aumentou muito, e finalmente ele pesa de maneira um tanto quanto universal de forma que todos podem sentir e ver.


157: Federici que estava certa, é preciso reivindicar pagamento para esse trabalho (invisível para o mercado, ou só visível na forma de serviço).

311: Acho que um ponto importante sobre isso Vaneza, é que assuntos referentes ao feminismo tenham diminuído a relevância na cena… Juntando a questão da menor participação feminina: o que eu tenho visto tem um tempo, é que as minas parecem preferir espaços de minas, os negros de negros etc… onde me formei, acabou que depois de um tempo, o espaço comum de debates chamado DCE se esvaziou ainda mais e os espaços particulares (mulheres, gays, etc) encheram, e, de certo modo, o que restou do DCE foram alguns dinossauros da militância q, depois que se formaram, o DCE acabou sendo ocupado, mas por osmose, por esses movimentos particularistas… Daí o q q eu acho, um fatores pra diminuição de artigos de mulheres talvez seja o fato da diminuição da importancia do feminismo na atual conjuntura (ele diminuiu simplesmente porque temos um vírus aí, e o lance da economia, bem com da saúde, são mais relevantes) e, uma variável para o fato de o CEII ter baixa participação feminina talvez seja a pouca importancia q espaços clássicos (o CEII é isso, discussão de universal sem identidade) têm tido no nicho da esquerda…


311: eu escrevi uns dois textos, acho, sobre esse lance da economia, q eu suspeito, que vai voltar a ser prioritário depois que o sonho lulista desabou… isso antes da pandemia…


311: porque? porque o que traciona pensar lutas culturais é o fato de se ter o que comer e onde trabalhar, daí, nesse estado de bem estar social de baixa intensidade que foi o Brasil do Lula, fazia todo sentido pensar as desigualdades ocasionadas por questões culturais, já que quanto à economia, “tudo ia bem”… só q essa bagaça desabou…


311: daí, duas coisas…


311: a esquerda virou um lugar de acolhimento, “ter quem abraçar” na falta de chão pós-lulismo (temer e bolsonaro), ou, de repensar a economia, daí: esses best sellers de economia que tamos vendo surgir ultimamente…


311: minhas impressões são de que no mundo igualitário da pobreza pelo qual vamos e estamos passando, o velho tema do barbudão vai voltar a ter alguma relevância…

157: Ah, cara, mulher não escreve só sobre feminismo, né? Os dossiês vem com um tema, se é sobre “árvore” e antes tinham 10 mulheres falando sobre isso e agora tem 4, alguma coisa aconteceu.


157: O mundo da pobreza não é igualitário. Se liga, tu já viu o tanto de trabalho das mulheres pretas, né? Elas trabalham na casa das patroas e nas próprias casas. Quantos caras fazem em casa o que fazem em seus trabalhos, lembra, em casa de ferreiro o espeto é de pau. Pode ser por causa da falta de condições para fazer, mas não tem nenhum tipo de obrigação para a reprodução da vida que o ferreiro ponha espetos de ferro em casa, mas pra faxineira tem.

157: E se as questões culturais se tornaram identitárias e se ficaram imersas “poço” do lugar de fala, isso é um problema de todos.


311: mas eu não disse isso hora nenhuma… disse q me parece q um dos fatores q podem ser responsáveis pra redução de publicações por mulheres se deve ao fato de, por ora, o feminismo ter saído de sena… o q não exclui outras publicações e o trabalho doméstico…


311: e sobre isso, eu acho q o brasil teve suas condições de possibilidade pro surgimento de pautas mais culturais, acho q as condiçoes de possibilidade foram dadas pelo lulismo, tanto q foi ali q elas ganharam força…


157: 311, tô ficando puta. E sei que é pelo circuito de afetos que o assunto mobiliza em mim, porque sou mulher (e não farei digressão sobre isso). Agora, colocar a questão identitária como cultural e não econômica também, é foda. Fale de economia política, libidinal o que for. É econômico também, se se abriu espaço para pensar identidade e corpo só pela via das teorias culturais é algo muito sério que diz respeito ao CEII.

NOTA #1 [13/05/2020] (RJ I)

Sobre Gênero e a Identidade de Esquerda: será que o CEII e a ‘política da indiferença’ não dão conta de uma política da diferença? Se imaginarmos que a questão que atravessou o debate político nos últimos dez anos e reconfigurou seu espaço de possibilidades foi uma de ‘política da identidade/diferença’, como se situaria o CEII (anônimo e indiferente) nesse cenário? Talvez seja possível relacionar tanto a queda de interesse no CEII em dado período como a redução da participação feminina a esse processo maior. Quando as manifestações e grupos feministas (e/ou antirracistas e/ou descoloniais) se proliferam e a nova onda feminista (dos 99%, como gostariam a Fraser, Arruzza e Bhattacharya) se torna um fenômeno global maior que qq esquerda, qual é o sentido de buscar uma organização comunista aparentemente indiferente à diferença que é ser mulher no meio do “heteropatriarcado-colonial-capitalista”? (pra juntar alguns dos muitos possíveis predicados em voga para caracterizar as estruturas de exploração/opressão contemporâneas). Talvez sejamos todos iguais em nossa condição de explorados/oprimidos, mas parece razoável dizer que uns (ou umas) são mais que outrxs…
Lendo essa semana um texto sobre a Política pós-junho e a relação entre classe e diferença na esquerda, voltei a pensar nessas questões. Segue um trechinho:”pensar […] as tensões, confluências e conexões entre classe e diferença. No Brasil, em outros contextos, parte da esquerda tentava opor classe e diferença e isso está muito preso no debate político nacional. O que, a meu ver, nos ajuda a pensar é o seguinte: a classe sempre foi preta, a classe sempre foi mulher, a classe sempre foi indígena. ”  ” Alguns sentidos de Junho que se destacam: a questão da participação contra a representação, a questão da corrupção, uma rebelião contra o inadequado uso do dinheiro público, especialmente por conta dos gastos feitos para a Copa, a questão da violência policial e a pauta de uma nova subjetividade indígena, negra, feminista, LGBTQI. ” –> Nesse contexto, Tible considera que apenas o PSOL com Boulos e Sonia Guajajara tinham uma pauta que realmente considerava esse diálogo com as mudanças de junho (Bolsonaro seria um anti-junho e o PT em menor grau e principalmente o PDT apresentariam pautas, talvez, pré-junho; o PCdoB, com Manuela D’Ávila seria um exemplo de alguma mudança tbm). — Essa digressão toda para levar a um questionamento simples: não seria o afastamento do CEII em relação ao PSOL análogo à separação em relação a uma jovem esquerda que cada vez mais fortemente se manifesta pelas pautas das ‘novas subjetividades’? Seria o caso de pensarmos uma polarização entre: 1. ser ‘organizacional- ou formalmente’ de esquerda (a proposta do CEII em certa medida); e 2. ser ‘identitária- ou subjetivamente’ de esquerda (a modalidade que em seu extremo alimentaria a ultrapolítica de que falava a Sabrina Fernandes)?Nesse sentido, não me parece que deveríamos optar entre uma ou outra, mas talvez buscar entender esse processo de afastamento e pensar como reinventar fórmulas organizacionais que deem conta da questão da subjetividade e da diferença: faz sentido criar células ou subgrupos que pensem essa questão? faz sentido reincorporar a diferença como parâmetro no ‘cálculo da indiferença formal’ no CEII em geral? faz sentido nos debruçarmos coletivamente sobre a relação organização/subjetividade e experimentar com formas de organizar ‘diferentes’ para ‘dar conta das diferenças’?Joguei umas ideias, não tenho respostas, não…https://autonomialiteraria.com.br/jean-tible-a-esquerda-se-divide-em-dois-polos-quem-celebra-e-quem-detesta-junho/
PS: esse Jean Tible escreveu recentemente um livrinho que se torna mais interessante ainda hj pela presciência do nome dessa série de publicações pela N-1 (série Pandemia, de 2019 kkk). Seguem título e um link para quem interessar possa: marx indígena, preto, feminista, operário, camponês, cigano, palestino, trans. selvagem

NOTA #7 [22/04/2020] (RJ I)

COMISSÃO OPERATIVA DE SAÚDE MENTAL PCB – PROPOSTA DE INST NCIA DE ACOLHIMENTO PSICOLÓGICO 
Na última reunião a comissão encaminhou que será disponibilizado um contato de e-mail da comissão e o telefone de um dos integrantes para Acolhimento Psicológico (AP). Esse recurso tem a finalidade de abrir um canal de comunicação para os militantes  que sentirem necessidade de uma atenção profissional. Destacamos que esta iniciativa não visa promover atendimento clínico terapêutico. Trata-se de um atendimento profissionalmente qualificado que visa auxiliar a/o militante a encaminhar suas demandas de saúde mental. Este acolhimento não tem um período estabelecido à priori. Cada pessoa que procurar esta instância será acolhida dentro da especificidade do seu momento e das suas necessidades.Mesmo que a finalidade do acolhimento psicológico não seja a prestação de serviço clínico, cabe ponderar que isso não implica em não haver a possibilidade de um encaminhamento das demandas que chegarem ao AP. Entendemos que, respeitando o tempo e as possibilidades de cada militante, o sucesso deste acolhimento será medido pela capacidade de conseguir auxiliar a pessoa a ter na célula/núcleo sua referência de acolhimento para demandas de saúde mental. Nesse sentido, entendemos o AP como um dispositivo que visa principalmente colocar em circulação, de forma generalizada (guardadas as devidas proporções e possibilidades de cada instância), a promoção, a prevenção e a intervenção em favor da saúde daqueles que compõem o partido e os coletivos. A divisão social do trabalho no atual modo de produção nos segmenta na forma de trabalhadores especializados. O conhecimento e a capacidade de atuar na sociedade é disciplinado por formas de controle do exercício de saberes através da limitação do acesso a tais saberes e da vigilância sobre seu exercício.  A finalidade do controle do acesso e do exercício dos saberes é, sobretudo, garantir segurança jurídica e o rebaixamento do valor da força de trabalho. É sensato dizer que colateralmente produzem-se mecanismos de regulação e controle que protegem a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores, mas apenas até o ponto em que a existência do proletariado cumpra uma função para a extração de mais-valor, seja no mero mantenimento da sua existência precária, seja como produtor extenuado de valorização do capital. A sensação de não sermos capazes de lidar qualificadamente com demandas de saúde mental é em parte uma constatação responsável de quem entende que é necessário o domínio sobre um conjunto de conhecimentos e procedimentos específicos para não causar mais dano do que ajudar, mas também é efeito desta específica segmentação do trabalho que a ideologia nos impõe. Não se trata de dizer que subitamente qualquer pessoa possa passar a oferecer o que a Psicologia chama de escuta qualificada, antes, é dizer que é possível e necessário que o conjunto de conhecimentos que fundamentam a qualificação de uma intervenção em saúde mental podem ser construídos à medida em que nos confrontamos com necessidades que se apresentam. No percurso dessa generalização dos saberes, buscando superar a divisão capitalista do conhecimento e do trabalho, a mediação entre aqueles que tiveram a oportunidade e o desejo de dominar em algum grau o acúmulo humano sobre um determinado campo e os identificam a necessidade de contato com tal acúmulo é fundamental e, destaco, não poderá se dar no formato de educação bancária. É na especificidade de cada necessidade singular que o conhecimento qualificado e efetivamente pertinente é produzido. No campo da saúde mental a transmissão desse saber necessariamente passa pelo sofrimento daquele que fala, mas necessariamente também pelo sofrimento daquele que escuta. Dessa forma, um dispositivo como um AP nos parece ser um primeiro movimento em favor de uma caminhada neste sentido.Tendo estendido o argumento sobre a pertinência e a função deste recurso no partido é importante dizer que demandas mais graves, que entendemos necessitarem de atenção singular serão acompanhadas prioritariamente para os serviços públicos de saúde mental disponíveis. Em não havendo essa possibilidade poderá ser feita indicação para uma ou um profissional de saúde. Nenhuma destas últimas opções implica na desimplicação da comissão operativa como mediadora entre a pessoa e a célula/núcleo.   Por fim, para além dos argumentos favoráveis a uma nova relação entre saberes, práticas e responsabilidade intersubjetiva, nos parece pertinente destacar dois últimos argumentos que desincentivam o atendimento clínico endogâmico no partido. O primeiro deles é de ordem técnica. No campo mais especificamente psicanalítico percebe-se que a concentração de tipos variados de relações entre dois sujeitos pode produzir mais sofrimento ao invés de mitigá-lo. Caso aquele que presta serviço psicológico seja também uma pessoa socialmente próxima, o processo terapêutico pode ser dificultado tanto da parte de quem procura o serviço quanto de quem oferece, pois uma outra relação qualquer pode acabar concorrendo com a relação terapêutica em favor da estabilidade daquela. Outro argumento é de ordem ética. Organizações militantes que tendem a abrir espaço para inscrição de profissionais de saúde acabam por abrir um nicho de mercado e com isso incentivar tanto uma disputa interna entre os profissionais quanto uma vinculação financeira de mercado dos profissionais com a organização. Não se trata de vetar a possibilidade de relação terapêutica clínica entre militantes e tão pouco de troca de quaisquer serviços ou produtos. No terreno da ética as ponderações buscam apontar dilemas, qualificando cada decisão com a advertência das suas consequências extensas. O debate mesmo sobre as relações econômicas dentro das organizações militantes e o papel destas novas relações para a construção de um igualdade de fato é ainda um terreno delicado e fértil.           

NOTA #6 [22/04/2020] (RJ I)

na última reunião, falamos um pouco sobre o trabalho da Sabrina Fernandes sobre organização política. Sei que o Rodrigo Nunes também trabalha numa pegada parecida e, além disso, é conhecido do 031. Será que teria como o nosso querido Mais-Um, que eu presumo que continuará sendo o 031, dar uma passada geral nas ideias do Rodrigo Nunes?