NOTA #7 [23/09/2020] (RJ)

E se estamos todos presos no Planeta-Trabalho, se estamos fadados à condição universal da tensão entre proletarização (sob condições de exploração acentuadas) e precarização completa? Na era da superação do Trabalho pelo Capital como sujeito totalmente automatizado de sua auto-valoração (turubom, indústria 4.0?), da suprassunção das vidas e subjetividades pelo processo automático do neurocapitalismo cognitivo-algorítmico de redes e plataformas… O que nos resta fazer politicamente?
Ainda é uma missão válida encontrar o novo sujeito revolucionário universal em novos marginalizados (motoristas de aplicativos negros travestis…)? Recompor universalidades em mosaico, atravessando escalas segundo projetos éticos-econômicos-políticos-ecológicos(-ponha aqui o predicado que parecer necessário) não só parece ainda uma missão louvável, como talvez seja a única alternativa plausível para atingir massa crítica de movimentos, para sair do excessivamente local e atingir outros níveis de ação.
Vai ver a única saída para a dialética da subsunção pelo Planeta-Trabalho é apostar em seu ‘par negativo’ na forma de uma dialética do Trabalho-Planetário, necessariamente transescalar, multiníveis, polilógico etc etc etc…

NOTA #7 [16/09/2020] (RJ)

Eu queria começar essa nota elogiando o projeto do CEII convida, e trazendo destaque para a apresentação do camarada Túlio, que foi muito boa.
Dito isso, nela, como em notas anteriores, se falou de Oniropolítica, o que me leva ao conteúdo dessa nota, também em diálogo com uma nota recente falando da preocupação com o futuro.
Se eu vivesse achando que tudo vai dar merda, eu não viveria, já teria entrado para o clube dos suicidas de plantão, me aplicado para o concurso público para ser funcionário do Estado Suicidário de que falou o Safatle. Uma forma de manter a sanidade mental nesse caos, pra mim, está em fazer oniropolítica: ter os sonhos como um fazer política por outros meios; e a política como viver sonhos por outros meios. Assim quando sonho com realidades possíveis, quando planejo projetos de realização futuros (individuais e sociais), opero politicamente até na dimensão da manutenção da motivação política para continuar agindo e disputando a realidade. Não é a política, assim como a ciência e a arte (e talvez tbm o amor pra deixar o velho Badiou satisfeito), uma forma de fazer sonhos (projetos de mundo?) se tornarem reais? Uma forma de concretizar o campo das ideações para transformar a realidade em vez de só interpretá-la?

NOTA #8 [09/09/2020] (RJ)

gente, como é que vocês ficam em relação ao futuro einh? tenho uma relação cada vez mais esquisita com a postura de ter esperança. ao mesmo tempo, se eu viver achando que tudo vai dar merda… bom, aí fica difícil de viver também. como é que vocês lidam com isso?

NOTA #7 [09/09/2020] (RJ)

Eu vi que uma das últimas notas fez a pergunta: será que o CEII realmente está saindo do buraco em que ele foi acusado de estar com o vídeo sobre o fim do CEII no começo do ano?
O próprio SG já levantou essa questão algumas vezes nas ultimas reuniões, será que o Zizek acertou e, depois um pequeno momento de sucesso, nós estamos muitos apaixonados por nós mesmos para ver que não saimos do buraco ainda?