REFERÊNCIAS 11/10/2016 (RJ I)

 

RESUMO DO TEXTO “MATERIALISMO REVISITADO”

Ponto de partida: o relativismo do conhecimento científico, introduzido no partido bolchevique através da ala de Bogdanov, confronta a concepção leninista do saber a respeito de como intervir na realidade social. Lenin então responde a essa tendência idealista com um livro, chamado Materialismo e Empirio-Criticismo.

1. Senso comum: “a ciência superou a matéria”
– debate entre Lenin e Bogdanov sobre ciência, materialismo e relativismo.

2. Tese básica de Lenin
– recusa de reduzir o conhecimento à convenção instrumental
– mas o conhecimento é ainda assim situado, ligado à concretude histórica

3.Lenin e Hegel:
– apesar de baseada em Hegel, a concepção dialética de Lenin não é propriamente hegeliana

4. O materialismo em Lenin e Adorno:
– tanto Lenin quanto Adorno definem o materialismo como a prevalência de algo externo e não-mediado sobre o conhecimento e a internalidade, mesmo que indiretamente.

5. O idealismo no materialismo de Lenin:
– a questão é: de que ponto de vista é possível afirmar que há algo que permanece além do que podemos afirmar? Essa posição presume que o que é “interno” está fora do mundo (fora da externalidade), e presume que é possível dizer algo sobre o que acabamos de afirmar estar para além do que podemos dizer.

6. Duas posições sobre a distorção da realidade:
– é possível defender que temos uma visão parcial da realidade porque o saber está fora da realidade, apartado do que lhe é externo, mas também é possível afirmar que essa distorção parcial advém do fato de estarmos imersos na realidade, do fato de que nossa visão interna, separada do mundo, é afetada pelo fato de estarmos no mundo.

7.Diferença entre materialismo e idealismo:
– assim, a diferença entre materialismo e idealismo decorre não da defesa da matéria, mas da questão da totalidade: existe ou não um ponto de vista de onde podemos falar do todo (do que é interno e do que é externo)? Se afirmarmos que o que é interno está fora do mundo, e que é dali que é possível ver o todo, então temos a matriz idealista (que coloca um ponto fora do mundo para poder pensar o mundo como um todo), se afirmamos que a separação entre interno e externo como sendo fruto da própria imersão na realidade, de modo que o desconhecimento do externo é um aspecto da própria externalidade, então temos o ponto de vista da totalidade, e o materialismo.

8. “não há universo como um todo”:
– isso é, o excesso que atrapalha a visão total é parte do que precisa ser visto, parte da totalidade.

9. Hegel e o Budismo:
NADA ==> APARÊNCIA -> SER

10. Hegel e Heidegger:
– SER ==> MUNDO -> ENTE SUPREMO

11. Hegel e Marx:
– FORMA DO VALOR ==> VALOR DE TROCA -> VALOR DE USO

12. Hegel e Freud:
– REAL ==> REALIDADE -> SATISFAÇÃO

13. Hegel e o Infinito:
– INFINITO VERDADEIRO ==> FINITO -> INFINITO ESPÚRIO

14. Hegel e Laclau:
– ANTAGONISMO ==> SOCIEDADE -> POLÍTICA

15. Hegel e a ambiguidade em Kant:
INEXISTÊNCIA DO MUNDO => FENÔMENO -> NÚMENO

16. Idealismo:
– há um fora do mundo que garante o mundo:
existência do mundo -> limite, exceção ou garantia

17. Materialismo:
– não há um mundo pois não há um fora do mundo:
inconsistência do mundo ==> consistência -> excesso suposto “de fora”

18 Lenin versus Kautsky:
– a questão era a passagem da classe trabalhadora para agente revolucionário:
classe trabalhadora -> agente revolucionário

– se a passagem é imanente: a transformação é sem mediação, e o saber (a mediação) é científica e imparcial
– se a passagem é condicionada: a transformação é mediada, e o saber é político

19. A questão é o estatuto do conhecimento revolucionário.

20. Quatro modalidades do conhecimento de acordo com Lacan:
– o Know How (saber na realidade sem pensamento)
– A teoria desinteressada (saber pensado sem realidade)
e, na modernidade:
– O conhecimento científico (saber pensado que toca na realidade)
– O conhecimento burocrático (saber da realidade com expressão pensada)

21. Paradoxos do conhecimento moderno:
– O paradoxo científico: do ponto de vista da ciência moderna vemos que o não-saber pode tornar possível certos saberes práticos, como andar, respirar, etc – operações complexas que são sintetizadas através de nossa ignorância de estarmos coordenando tantas variáveis ao mesmo tempo. A explicitação de todas as variáveis – aspecto essencial da ciência – tornaria impossível sua execução. É um paradoxo sobre a prescrição, em que a realidade excede o saber.
– O paradoxo burocrático: do ponto de vista da burocracia vemos que a pura descrição da realidade pode afetar a realidade – como no caso em que uma pessoa ainda viva aparece no sistema como morta, e essa informação errada afeta a realidade da pessoa. É um paradoxo sobre a descrição, em que o saber excede a realidade.

22. O conhecimento na psicanálise:
– o analisando não sabe o que tem
– o analista é necessário para que esse saber seja produzido
– mas o analista não sabe o que o analisando tem
– O estatuto do conhecimento transformador diz respeito ao estatuto da externalidade desse saber em relação ao conhecedor: está fora dele, mas esse “fora” não existe

23. O conceito de verdade:
– verdade como conhecimento imparcial ou neutro
– verdade que considera os efeitos do engajamento e da ignorância sob a realidade (verdade situada no mundo que descreve)

24. O estatuto do saber sobre o que o outro sabe:
– enigma do conhecimento: como é que saber que o outro sabe pode alterar a economia psíquica de uma situação?

25, O estatuto do engajamento:
– marxismo com religião: afirma que um ponto de vista parcial pode revelar a totalidade – ou seja, reconhece uma externalidade ao conhecedor como essencial à superação dos limites do conhecedor
– marxismo contra a religião: a parcialidade não revela, mas produz o saber da totalidade – ou seja, toma essa externalidade como puramente formal, e não um conteúdo escondido que vem à luz.
(fenomenologia discorda da religião na primeira asserção e concorda na segunda)

26. Deus, partido, analista
– “obstáculo materialista”: é impossível ver-se vendo, mas também não há nada para olhar até se tentar superar esse obstáculo

27. Brecht e a autoridade do partido:
– conhecimento político x forma do conhecimento

28. Diferença formal:
– obstáculo externo (forma consistente x elemento externo que atrapalha a harmonia)
– obstáculo interno (forma cuja exterioridade é parte de sua totalidade)

29. Externalidade formal:
– forma positiva que separa o dentro do fora
– forma que inclui o que está em excesso a ela

30. Interpretação x formalização:
– interpretação: dar sentido ao que está fora (seus impasses são obstáculos)
– formalização: recriar o fora dentro de um sistema formal (seus impasses são objetos)

31. Dialética da forma:
– Comunismo (antagonismo interno à forma, luta de classes) -> Nazismo (conflito externo à forma, luta entre grupos)
– “a forma é o próprio princípio de concreção”
– forma cria o objeto que a excede (formalização)
– forma como moldura neutra que organiza e representa o que não é formal (formalismo)

32. Marx, Freud: formalizadores
– Freud:
ação: transferência formaliza a relação libidinal
teoria: teoria de como o sonho cifra uma inconsistência
– Marx:
ação: não há uma teoria da formalização transformadora
– teoria: teoria da forma-mercadoria

33. Hegel e a forma:
– Fenomenologia do Espírito: história das formas da subjetividade (da encarnação da externalidade na forma do pensamento)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *